domingo, 17 de abril de 2011

Bienal do Livro de São José dos Campos, a decepção

Mesmo com a incômoda sensação de a minha barriga estar se distendendo e prestes a explodir fiz questão de visitar ontem a Bienal do Livro que aconteceu (aliás, acontece até às 22 horas de hoje) no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. Meu único foco eram os livros infantis que desejava adquirir desde já pra formar a biblioteca da Chicorinha. Tinha vários nomes memorizados que peguei na lista da Flavia Pegorin e em uma matéria da revista Crescer, além dos títulos que eu mesma li quando criança e esperava rever na Feira.

Minha impressão imediata foi positiva, pois os dois primeiros estandes que vi na entrada eram imensos e logo encontrei num box de revistas em promoção o álbum da Sarah Kay já com todos os envelopes de figurinhas acompanhando por apenas R$ 5,00. Mesmo depois de a atendente do stand ter informado que houve um engano por parte da editora, que anexou as figurinhas não daquele álbum e sim de outro, achei que foi um bom negócio pois o que me interessava mesmo eram os adesivos.

No entanto, conforme fui caminhando (muito incomodada, confesso) pela Bienal minha impressão começou a piorar. Havia muitos e muitos stands do que costumo chamar de 'livros brinquedos', que nada mais são do que brinquedos em formato de livro: grandes, coloridos, com páginas grossas, espaços para colorir, personagens famosos da Disney ou da Discovery Kids, botões com sons de bichinhos, capas de pelúcia etc etc. Vocês fazem idéia do que estou falando. Aí quando a gente vai ver o conteúdo, o texto propriamente dito ou mesmo as ilustrações, vem a surpresa: algo muito banal, sem graça, sem história, sem poética, enfim, nada que justifique o nome de 'livro' (mas não tenho nada contra, mesmo porque acho que para bebês estes livrinhos de plásticos, sons e pelúcia são muito úteis para chamar sua atenção enquanto ainda não entendem e não lêem, só que é preciso saber diferenciar esses artifícios da Literatura Infantil propriamente dita).

Bom, daí fui eu procurar os stands onde os livros infantis de verdade poderiam estar. E eles estavam em no máximo meia dúzia deles, os menores, mais sem graça e mais vazios da feira. A Ática, que é uma mega editora com títulos ótimos, estava num stand ridículo de tão pequeno e pelado. Idem Cia das Letras, na parte infantil. O pior de tudo era que os preços dos livros-brinquedo eram muito atrativos (10, 15, 20 reais), mas o custo de uma obra como Marcelo Marmelo Martelo da Ruth Rocha, um clássico, não era menor que 32 reais, em uma edição de capa e páginas simples. É claro que eu entendo a diferença nos valores, afinal estou aqui defendendo que esse sim é um livro 'de verdade', mas acredito que numa feira como esta as editoras deveriam oferecer preços mais atrativos, abaixo dos praticados nas livrarias, justamente para divulgar e possibilitar o acesso da população a estas obras.

Nunca fui numa Bienal em São Paulo e não sei se lá as coisas são diferentes. Eu, se fosse organizar um evento desses focado no público infantil, iria em primeiro lugar limitar os stands dos livros de brinquedo a uma porcentagem muito menor do que havia ali e negociaria benefícios maiores das boas editoras em termos de preços. E se eu fosse organizar um stand colocaria mesinhas e cadeiras para as crianças, uma contadora de histórias, tótens com ilustrações dos livros ampliadas para chamar à atenção dos visitantes e disponibilizaria material extra para os professores, como uma lista de sugestões de obras categorizadas por temas ou daquelas premiadas, por exemplo, com o Jabuti.

Em resumo, a Bienal do Livro de São José dos Campos no tocante exclusivamente aos stands infantis (ou seja, não estou levando em conta a a programação de palestras e outras atividades porque não participei delas) foi uma lástima. Espero que as crianças, nas inúmeras excursões escolares que passaram por ela nestes dias, tenham aproveitado ao menos as atividades extras. Meu sobrinho que está aqui comigo me contou que os professores de sua escola deixaram os alunos soltos, sem nenhum roteiro ou visita guiada, e ele saiu de lá com um livro do Naruto, personagem de desenho animado, e outro do filme A Era do Gelo... E eu saí com as figurinhas da Sarah Kay (o que também não conta muito em meu favor, pelo menos em termos literários) e um livro muito bonitinho e acessível que comprei no stand da Paulinas chamado "A Casa do Coelho", da Lucia Reis, para dar pro Enzo na Páscoa. As páginas dele são fininhas e a encadernação é comum, mas o texto e as ilustrações são uma delícia que fazem a imaginação viajar, e é isso que importa, pois essa é a alma do Livro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário