sábado, 17 de setembro de 2011

Três Meses e o fim de um ciclo

Eu sempre levei a sério aquela teoria da extero-gestação - segundo a qual nos três primeiros meses de vida o bebê ainda é um feto que reage como tal e ainda busca o conforto da vida uterina aqui, do lado de fora. Dia 14 último a nossa Chicorinha completou três meses e, portanto, isso marca o início de uma nova fase, a de ser criança. Precisamente neste dia ela deu risada, sua primeira risada! Em breve vamos ouvir deliciosas gargalhadas por aqui... E como gosta de conversar, essa menina! Com palavras que só existem no mundo dos bebês a gente trava altos papos musicados... 

Neste dia de debut a pequena foi passear pela primeira vez no supermercado, de canguru e tudo (porque apesar de eu preferir o sling nem ela nem eu nos adaptamos), e foi tão legal! Ela só sorrisos e encantamento diante das inúmeras cores e formas dos produtos à venda. E eu orgulhosa e tímida, sem saber muito bem como lidar com as pessoas que não desviavam seus olhares e comentavam sobre aquela 'belezinha de neném'.

Escolhi essa linda fase da vida da Chicorinha para me despedir com muito carinho deste blog que atualizo desde os cinco meses de gravidez. Está acabando porque tem sido cada vez mais difícil escrever aqui... Eu tenho idéias, tantas coisas que queria deixar registrado - por exemplo, que vou dar um jeito de gravar o Snoopy, a Pantera Cor-de-rosa e o Harry Potter porque faço questão que a Chicorinha conheça esses personagens tão especiais para mim, e que eu a imagino já menina com a personalidade da Coraline, e até tinha bolado uns títulos para os posts seguintes, tipo "Chicória's Secret", "Pílulas de Chicorícea" e "Chicória Merencória Luz-da-Lua" - mas não consigo parar pra escrever do jeito como gostaria, com a beleza, a singeleza e a elegância que desejo e desconfio não possuir. Sinto pela infreqüência dos textos, também por não ter lá muitos leitores mesmo (a não ser aquelas pessoas próximas que certamente continuarão tendo notícias nossas, seja pessoalmente ou pelo Facebook) e porque  confesso, tenho andado grilada com esse negócio de superexposição...

E também porque... Muito mais do que divagar sobre a forma como desejo criar a Chicorinha, com os mais nobres valores, eu realmente preciso praticar isso no dia-a-dia, domando meu gênio controlador e meu ego descontrolado, porque se eu quero que ela aprenda a aproveitar bem a vida não posso dar como exemplo meu mau humor que estraga tudo 'porque estava frio e papai tava doente e não pudemos fazer o piquenique do aniversário de três meses nem aquelas fotos legais que eu tinha planejado...', pois definitivamente não era isso que importava e sim ela estar tão alegre e nós estarmos ali, juntos, celebrando um dia tão especial...

Mas, olha: valeu muito a pena poder compartilhar com vocês detalhes de uma trajetória tão abençoada, receber a visita de gente que dificilmente encontro mas que sempre dava uma passadinha por aqui deixando um comentário amigo. Falando em comentários, taí uma falha minha: dificilmente eu os respondia. Mas garanto que não os ignorei, apenas costumava dar respostas mentalmente e acabava me esquecendo de verbalizar. Juro, li tudo e agradeço cada conhecido e desconhecido que deixou uma palavrinha pra nós.

Outra coisa que esse blog me proporcionou foi conhecer mulheres incríveis com um talento muito maior do que o meu para escrever sobre a maternidade, em especial a querida Sofia do Buteco Feminino, com quem descobri tantas afinidades e a adorável Michele do Diário de Marin Jones que com suas experiências traduziu com perfeição o dia-a-dia das mães da nossa geração.

O blog fica disponível por mais uns dias, depois vou tirá-lo do ar. Mas salvarei cada uma das páginas com seus respectivos comentários, porque um dia quero mostrar este material pra Chicorinha. É uma linda lembrança dos momentos especiais que vivi durante sua espera e durante os primeiros meses de sua 'branca vida', como dizia a Cecilia Meireles...


A gente se vê por aí! Um beijo da Chicória & Chicorinha!

sábado, 10 de setembro de 2011

Chicorinha e a última cruzada

A minha amiga Vanessa é uma que vive angustiada. O Robson, marido dela, a chama de "Mulher Angústia". Mas a diferença entre nós duas é que a Vanessa é uma angustida bem humorada enquanto eu sou uma neurótica.

Fico aqui olhando a minha pequena hortaliça adormecida em sua cadeirinha de balanço e daqui a pouco já me pego pensando nos perigos que a casa oferecerá quando ela estiver engatinhando, e isso já me angustia. Olho novamente pra ela e calculo o tanto de fraldas que estou descartando no meio ambiente e me pergunto o quão poluído será o mundo daqui a algumas décadas. Penso em que tipo de garotos se aproximarão dela, se estarei sempre perto quando houver algum perigo, se ela não vai teimar em fazer ginástica olímpica e me matar do coração cada vez que der um duplo carpado, que se eu não lhe arranjar irmãos quando ela estiver bem velhinha poderá ficar solitária, enfim, eu penso em tudo isso e mais um pouco. Penso inclusive que zelar demais por ela pode ser prejudicial por não lhe dar a oportunidade de aprender a lidar com os problemas por si mesma...

Sei lá, na minha cabeça trazer uma pessoa pro mundo sempre foi algo de uma enorme responsabilidade, tipo como se a gente fosse deuses-trainee gerando vidas. E eu enquanto deusa gerente administradora de uma vida quero fazer tudo certo e do meu jeito, ou seja, sem sacanear minha criaturinha.

O que me ameniza toda essa angústia é acreditar que esta geração de crianças bem cuidadas vai acabar encontrando uma solução para o problema do lixo, do aquecimento global, da violência e viverá num mundo talvez bem melhor que o nosso, e que esse monte de filhos únicos vai acabar se juntando e sendo tudo amigo na velhice. Mas se isso não acontecer eu ainda acredito que vou conseguir dar uma educação que a proteja de tudo o que é do mal (e quando eu penso nisso eu sempre imagino aquela cena do Indiana Jones 3 que em que ele ainda jovem chega correndo ao escritório do pai e este o manda contar até dez em latim - porque o Indy, este sim, foi um cara bem criado)...

Quero que ela saiba das armadilhas da vida mas que não perca a leveza, o bom humor e essa incrível capacidade das crianças de não se apegarem à dor e sim ao divertimento, que ela faça bem feito o que tiver escolhido pra fazer para que seja independente e feliz com seu trabalho, que ela se alimente direitinho e faça exercícios - e acho que dar esse exemplo provavelmente é a parte mais difícil da minha missão - e que valorize o que realmente importa na vida: a amizade, a Natureza, a coragem, a bondade, a sabedoria, a criatividade, a alegria, a nobreza do coração. Porque acho que o único jeito de se lidar com este mundo é assim, como Henry Jones Jr. fazia: curtindo uma vida pacata na maior parte do tempo, preservando os grandes tesouros, virando herói sempre que necessário e tomando muito cuidado com o veneno das cobras...

Chicória Recomenda


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Notícias da Nave-Mãe

É muito engraçado acompanhar o desenvolvimento de um bebezinho assim, do tamanho da Chicorinha. Cada dia ela inventa um som novo e cantado pra conversar com a gente, com a mão dela, com seus bichos do móbile e da cadeirinha e com seu amigo mais querido de todos: o Lustre da sala.

De vez em quando também ela vira a 'mulherzinha das cavernas' porque, vocês sabem, por detrás daquela figurinha de pele macia e cheirosa e das roupinhas delicadas e do olhar inocente, todo bebê é um pequeno selvagem, livre de qualquer etiqueta social e e totalmente obstinado. É quando ela mama como se estivesse há vários dias nas savanas sem água nem comida, pra desespero da dona do peito.

Semana passada fomos dar as vacinas e eu aprendi mais uma lição de mãe: que na hora da dor ela vai olhar nos meus olhos buscando conforto e segurança e que por isso eu preciso abrir mão do meu jeito dramático-mexicano de encarar as mazelas da vida, sejam elas terremotos ou meras injeções, e engolir a vontade de fazer aquela cara triste e chorar junto, mas ser forte e sorrir, brincar, fazer esquecer, conduzindo-a de novo para o outro lado, o lado bom. Logo eu, a depressiva de plantão. E assim, é verdade que os filhos nos ensinam a sermos pessoas melhores, até para nós mesmos.

Esqueci de contar aqui que ela tá dormindo comigo na cama há várias semanas, contrariando o meu lindo discurso de antes de ela nascer. É muito simples: quando se descobre que basta isso pra você deixar de ser um zumbi e dormir maravilhosamente bem a noite toda - claro, comparada a outras mães de bebês novinhos que não sejam propriamente uns anjos - fica muito fácil abrir mão de suas convicções. Tanto que li num site que, se a pessoa não pretende acostumar a criança não deve jamais fazer isso uma primeira vez pois corre o risco de ela, a adulta, ficar acostumada... Como diz a Magner, na prática a teoria é bem outra.

No começo fiquei com muito medo de machucá-la, mas o negócio parece que é programado biologicamente: a gente dorme e acorda no mesmo lugar. O neném que costumava fazer um escândalo a cada meia hora porque acordava assustado continua a despertar várias vezes mas mama quietinho ou então volta a dormir por si só. E de manhã você ainda ganha um sorrisão de brinde!

Tem bastante coisa sobre cama compartilhada na net, incluindo instruções de segurança. Eu confesso que me dei o prazo de três meses para depois acostumá-la no berço. Todo mundo diz que, completado o primeiro trimestre as coisas ficam mais fáceis, o que 'casa' com aquela teoria da extero-gestação, então estou apostando nisso, mesmo porque existe também um pai carente ali, do outro lado da parede, dormindo com Laurinha, a gata.

Que Kama Sutra nada, a nova onda do momento é o Mama Sutra...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Educação musical

Vocês são testemunhas de que eu estou tentando oferecer uma boa educação musical pra Chicorinha desde o princípio, o problema é que na hora da troca de fraldas e das brincadeiras é só tranqueira que surge na cabeça pra cantar pra ela...

"Vem, tchutchuca,
Vem aqui com sua tigrona!"
(Bonde do Tigrão, quem poderia imaginar...)


"Dona Catarina, me dá água pra beber
Se você não me der água vou falar mal de você"
(Almir Guineto - de onde raios conheço esse cara!?) 


"Já pegou no cabelinho
Já peguei
Já pegou no narizinho
Já peguei
Já pegou na barriguinha
Já peguei
Agora, pare:
Pegue no bumbum"
 (É o Tcham, em outra pérola do cancioneiro popular...)


"Estou apaixonada, apaixonada estou
Pela dona do primeiro andar
Pela dona do primeiro andar
Pela dona do primeiro andar...
Peladona"
(Os Originais do Samba, estes eram legais, rs)


"I love seu rostinho
I love seu narizinho
I love seu umbiguinho
And I love you todinha"

(Falcão, o Rei do Brega...)

Agora, legal mesmo é o pai dela, que canta o hino do Santos e o tema da vitória do Ayrton Senna pra ninar a menina...)

Socoooooooooorro!!!!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dois meses de pura Chicorice!

Eu queria ter uma memória fotográfica, não, cinematográfica, ou mais que isso, pra conseguir guardar cada expressão da minha Chicorinha e o que sinto quando as vejo. São tantas carinhas, tantos momentos adoráveis que câmera nenhuma conseguiria capturar com perfeição, e é pena que nem mesmo nosso cérebro consiga guardar inteiramente as nossas lembranças...

Adoro recordar como eram as mãozinhas dela quando nasceu, a pele fininha, ressecada até, uns dedinhos finos e delicados que me davam aflição, e como elas foram se transformando nesses mãozãos fofos e macios de agora. Nos seus primeiros dias de vida eu gostava de imaginar que ela fazia 'discursos de sonhos' enquanto mamava, pois de olhinhos fechados desenhava arcos no ar, fazia conchinha com a palma da mão como se orasse ou então fechava os dedos naquele gesto que os italianos fazem ao dizer "Mamma mia!". Hoje já é diferente, ela brinca com os dedos sobre a minha pele fazendo caracóis com a ponta das unhas.

Adoro quando ela termina de mamar e fica com aquela boca cor-de-rosa meio apertadinha e às vezes continua mexendo os lábios, como se ainda mamasse, "beudinha de sono" quando a ergo logo depois, encolhida como uma tartaruga ou como diz o avô dela, um Agarradinho.  Adoro os sorrisos de encantamento que dá para o pai e acho graça de ela achar graça em mim dançando. Adoro quando a flagro me seguindo com os olhos pela casa. Adoro dançar com ela pra fazê-la dormir. Adoro o cheiro nas mãos fechadinhas guardando sua coleção de fiapos de roupas, parece criança que correu e brincou o dia todo.

Adoro a manha dela quando cansa do brinquedo e faz um único 'uá' sentido e entediado, como se chorasse de mentirinha, e os seus chorinhos resmungões quando está quase dormindo e não quer dar o braço a torcer... E de manhã quando espreguiça jogando o barrigão pra frente, fazendo uma bolinha, e estica os bracinhos pra cima como se fosse gente grande...

Tem tanta coisa que eu adoro dessa menininha que não vou conseguir parar de escrever. Espero que a minha memória seja boa o suficiente pra me lembrar de pelo menos algumas delas, pra sempre.  Mas se não der, tudo bem, pois sei que todos os dias vou viver coisas lindas, novas e encantadoras com a minha Princesa.





Ontem a Chicorinha completou dois meses, e também ontem foi o Dia dos Pais. Não deu tempo de escrever nada pro Sr. Chicório, mas o que eu disse pessoalmente a ele foi que estou orgulhosa da maneira como ele tem desempenhado seu mais novo papel: o de pai carinhoso, engraçado, presente, calmo, seguro, solícito, responsável. A Chicorinha simplesmente o adora, se encanta com suas brincadeiras, conversa com ele todos os dias com 'ais' e 'agus' risonhos...

Vandinho e seu presente de Dia dos Pais, num embrulho marrom e cor-de-rosa...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Catarina Patalina



Dando adeus ao macacão de patinho que quase não serve mais!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Moda Jovem, muito jovem

A Sócia da Light já falou do assunto com muita propriedade e eu pude constatar pessoalmente o quanto roupinhas de bebês podem ser irritantemente problemáticas. E a gente, como marinheira de primeira viagem, acaba comprando peças que, embora muito bonitinhas, são terríveis de vestir e de usar.

No primeiro dia de vida da Chicorinha entrei em parafuso tentando passar aquela mãozinha de dedos minúsculos e delicados - que, segundo a enfermeira, podiam ser fraturados se esquecêssemos algum no caminho - pela manga estreita do body. Segui o conselho da Encantadora de Bebês e passei a evitar qualquer coisa que precisasse ser vestida pela cabeça, já que isso desorienta e irrita os bebês - e claro, as mães.

Assim, em nome da praticidade, pedi pro Sr. Chicório procurar uns bodys de abertura frontal a fim de simplificar o underwear. Ele visitou nada menos do que nove lojas para conseguir o artigo (de luxo, pois além de raro, o fato de ser de botão encareceu assustadoramente a peça).

Isto dito, seguem algumas de minhas sugestões para aprimorar as roupinhas de bebê. Eu sei que tudo isso já existe, mas custa caro, e acho que o grande público também tem direito a um pouco mais de consideração dos fabricantes, mesmo porque não para eles custaria nada, só um pouco mais de empenho pra mudar, pra melhor. 
  • 100% algodão, sempre. Bebê gosta de conforto, não de estampa bonitinha, porém incômoda. E abaixo às etiquetas, não precisamos delas!
  • Os gorros e toucas poderiam se encaixar na cabeça do bebê de verdade (porque na maioria deles a gente só improvisa, malemá).
  • Em nome da segurança, evitar laços e fitas, principalmente no pescoço, mesmo que os adultos achem isso uma fofura...
  • Nos bodys de mangas compridas, estas devem ser 'esticáveis' pra não termos que forçar os bracinhos a entrarem por elas. E com abertura frontal para evitar a chata tarefa de passar a cabeça do nenê pelo buraco estreito (é, um parto mesmo!). Sugestão: ao invés de botões, o fechamento também poderia ser por meio de um velcro bem fininho e maleável. 
  • Ei, meninas também podem usar outras cores além de rosa e lilás!! Criatividade nas estampas, gente! Qual o problema em se inspirar em coisas legais, como os adoráveis patinhos da Carter's? 
  • Que tal se os macacões, ao invés daquele monte de botão - uns até parecem joguinhos de Resta 1 que confundem a gente de madrugada - viessem com zíperes? A Chicorinha tem um que é super prático e muito lindinho. 
  • Sapatos e meias foram feitos pra ficarem nos pés e não perdidos pela casa. Por que então não usam elásticos ou mesmo um sistema de velcros para mantê-los em seu devido lugar? 

    Os pequenos descamisados agradecem!

    sábado, 30 de julho de 2011

    Tudo talquinho do mesmo frasco

    Até uns dez, quinze dias de vida mais ou menos (não sei precisar porque nos últimos tempos minha memória não passa de uma vaga lembrança) a Chicorinha mamava e dormia tranqüila no seu carrinho até a próxima mamada. Até que, não mais que de repente, passou a recusá-lo e exigir nosso colo o tempo todo. Podia estar no mais profundo dos sonos mas era só colocá-la no carrinho que minutos depois já começava a chorar, desesperada.

    Assim, passamos as últimas semanas revezando nossos colos 24 horas por dia - e posso dizer que, mesmo para dois, a tarefa é pesada. De madrugada a gente revezava a poltrona, enquanto um dormia o outro ficava acordado a segurando - e de dia mal havia tempo para preparar o almoço e o jantar, tomar banho, o que dirá escrever no blog. Nossa prioridade, além de ficar com a Chicorinha, era tentar dormir um pouco mais do que três horas por dia.

    Porém, há mais ou menos uma semana - é difícil precisar datas porque tudo está meio contínuo, perco a noção dos dias - ela parece que criou mais confiança de que alguém sempre estará ali e, embora ainda reclame nosso colo, já conseguimos deixá-la algumas vezes durante o dia dormindo no carrinho e a noite, no berço. Claro que eu fico ali, na cama ao lado, pronta para acudi-la quando o choro não cessa depois de um tempinho.

    O engraçado é que lendo o E-family ou alguns blogs, ou conversando com conhecidos, chega-se à conclusão de que os bebês são todos iguaizinhos, pois passam por estas mesmas fases, deixando os pais exaustos, esquecidos e meio doidos (aqui em casa a gente dizia que ia fazer alguma coisa e logo depois esquecia o que era). Enfim, são tudo talquinho do mesmo frasco e ninguém sabe direito o que fazer - podem crer, eu já pesquisei.

    O que percebo é que ela segue um ciclo, às vezes depois da mamada ela dorme um sono profundo e às vezes quer ficar acordada brincando - aí a gente conversa, anda com ela pela casa, coloca pra ver o móbile ou na cadeirinha de balanço, que ela adora (ainda bem que compramos!) - e esse ciclo não tem nada a ver com o dia ou com a noite. Às vezes coincide do sono comprido ser de noite, mas às vezes, não. Pelo que li, parece que o cérebro dos bebês só vai ter seu relógio biológico pronto lá pelo terceiro ou quarto mês, passando então a preferir as atividades de dia e o sono de noite. Por enquanto, só nos resta administrar e mostrar a diferença entre um em outro, mas sem grandes expectativas.

    O tempo por aqui tem passado tão rápido, as semanas têm voado. A Chicorinha está tão linda e esperta, e nos encanta todos os dias com o seu jeitinho, seus chorinhos manhosos, seus sorrisos, as carinhas que faz enquanto dorme e os primeiros "ahs" e "uhs". Também pegou sapinho - que já está quase sarando - e está com a voz meio rouca - não sei se de chorar ou por causa desse ar frio de inverno.

    O que sei é que devagarzinho, dia após dia, vamos nos tornando mais pais e ela, mais filha. A nossa família vai se consolidando, se entendendo melhor, e a tendência é que continue assim, Chicorinha confiando em nós e nós confiando em nós mesmos, na nossa capacidade de cuidarmos bem da nossa maior riqueza.

    quarta-feira, 27 de julho de 2011

    Ensaio fotográfico da Chicorinha

    Taí umas fotos que eu tava pra fazer há tempos da Chicorinha, mas nessa fase de adaptação e tudo, nem rolou. Inclusive ainda tenho que contar as últimas dela pra vocês entenderem melhor essa falta de tempo..

    Então, o ideal teria sido fazer esse ensaio quando ela ainda era recém nascida, com no máximo uns quinze dias de vida, pois aí o neném tem um sono mais profundo e dá pra fazer várias poses. Eu só consegui tirar algumas fotos e logo a pequena se cansou e chorou, aí tive que consolar a pobrezinha...

    Mas funciona assim, a gente prepara um quarto bem iluminado (uma janela com cortina branca pra difundir a luz é o ideal) e aquecido (com o sol ou aquecedor), pra poder deixar a criança só de body ou peladinha. Ela precisa já dormindo, alimentada e trocada. Previamente, é preciso fazer uma 'montanha' de travesseiros e colocar uma manta ou edredon sobre a mesma. Aí se coloca o bebezinho sobre essa montanha, perto da fonte de luz mas não diretamente para que não o incomode.

    Embora seja uma péssima posição para dormir em termos de segurança, os bebezinhos adoram ficar deitados de bruços e até sorriem de satisfação. Uma pose linda que não consegui pegar da Chicorinha é aquela que eles fazem com as duas mãozinhas entrelaçadas embaixo do queixo, adormecidos...

    É preciso fazer a preparação do ambiente e o ensaio com muito cuidado, carinho e atenção, para não correr o risco de estressar o bebê, acordá-lo antes da hora ou mesmo provocar algum acidente, como queda da cama ou coisa assim.

    Então, seguem as (poucas) fotinhas que consegui da Chicorinha, com direito a body da Baby Gap e tudo (chiquérrimo, um presente da Vanessa, Robson e Enzo):








    sexta-feira, 15 de julho de 2011

    Um mês de Chicorinha

    Gente, não estou tendo muito tempo pra escrever ultimamente... Então só passei pra deixar algumas fotos do primeiro mês de vida da nossa Chicorinha, que também vem sendo chamada de Passarinha (pela mamãe) e Pantufa (pelo papai)... 
    Vejam como ela espichou e está cada dia mais linda!











    segunda-feira, 4 de julho de 2011

    As últimas

    Gente, que friiiiiiio... A família Chicória está entocada dentro de casa cuidando da cria, tentando aquecer o ambiente e evitar o vento gelado que entra pelas frestas da sacada e das janelas...

    Seguem as últimas fotos da nossa Chicorinha. Ela está linda e saudável como sempre e nós cada vez mais adaptados. As maiores dificuldades que temos enfrentando são suas cólicas, que decidiram aparecer e fazem a pobrezinha chorar desconsolada e também o fato de ela ter se acostumado com o colinho do papai para dormir...

    Aqui o Vandy a ninando e um novo uso que ele descobriu pra almofada de amamentação...


    E aqui o rostinho mais doce que eu adoro, depois que ela mama e adormece no meu colo...

    quarta-feira, 29 de junho de 2011

    Vício em controlar

    Oi, meu nome é Chicória e sou viciada em planejamento. Não sei desde quando isso começou, só sei que tenho mania de escrever manuais sobre absolutamente tudo, organizando procedimentos sejam eles de trabalho, viagens, projetos de vida e agora, cuidados com a Chicorinha.

    Só pra ilustrar, no tema Viagem: quando fomos visitar a Serra Gaúcha eu escolhi uma época muito específica, para pegar as cores amareladas e avermelhadas mais intensas do outono nas folhagens dos plátanos e bordos. Contudo, ao chegar em Gramado, passei a tarde toda de mau humor porque as árvores não estavam suficientemente coloridas como eu havia planejado que estariam... É mole?

    Minha cabeça fica o tempo todo trabalhando para criar estratégias de ação, como se eu precisasse de uma fórmula infalível equacionando eficientemente todas as necessidades de nossa filha e as nossas. Acho que dá pra perceber essa minha tendência a sistematizar ações e até mesmo pensamentos pelos últimos posts deste blog, que nada mais são do que as minhas tentativas de desenrolar o novelo mental que se formou com as minhas novas atividades de mãe.

    Sei que faço isso pra me sentir segura. Parece que tendo tudo pensado e por escrito, nada vai me escapar, nada vai sair do meu controle. Mas a verdade é que isso não está me fazendo bem. Tenho ficado angustiada toda vez que imagino ter encontrado a forma correta de agir - dar de mamar de tanto em tanto tempo e se caso ela chorar fazer isso ou aquilo - e no momento seguinte a pequena me surpreende respondendo de forma totalmente diversa do que eu esperava.

    Por exemplo, ontem li um texto sobre amamentação por livre demanda que mexeu um pouco com as minhas certezas. Imaginei que se pensasse um pouco mais conseguiria chegar num meio-termo, mantendo a rotina alimentar de três em três horas mas permitindo que a pequena sugasse nos momentos de estresse de modo que isso a fizesse adormecer. Tentei a experiência mas tudo o que consegui foi um bebê sem sono algum, como se sugando, mais ela quisesse sugar, ao invés de dormir. Além disso, como explicar que o pai consegue acalmá-la, apesar de seus apelos, com colo, musiquinhas e embalo, e que às vezes ela simplesmente pára e se acalma, e fica ali quietinha e absorta, apreciando o ambiente ao seu redor?

    Aliás, o Sr. Chicório é o inverso de mim. Ele faz tudo de forma tão intuitiva e com isso se preocupa menos, se estressa menos e acaba tendo ações mais eficientes do que as minhas. Por esta razão decidi que vou me esforçar para deixar de lado essa minha necessidade de ter cada detalhe milimetricamente controlado e relaxar, agir naturalmente, instintivamente, conhecer a personalidade e necessidades da minha filha um dia de cada vez, sem seguir um plano ou estratégia pré-definida. Claro que quero manter essa rotininha básica que nos ajuda a organizar o dia, mas sem toda essa neura de planejar cada passo de sua vida desde já.

    Nos primeiros dias até a casa parecia testar meus limites de organização pois no espaço de uma semana e meia a máquina de lavar quebrou, a privada entupiu, o mouse parou de funcionar e o micro ficou lento, caiu a haste dos meus óculos e eu cada vez mais inconformada com esta revolta repentina dos objetos domésticos justo num momento tão delicado. Mas, pensando bem agora, talvez o mundo estivesse tentando me dizer: 'let it be', relaxa, solta as rédeas e deixa rolar...

    A pequena já está com quinze dias, seu umbiguinho já caiu e eu não posso mais perder tempo montando sistemáticas. Eu preciso viver intensamente cada momento fugidio porque se a metade do mês já passou assim, os seis meses da minha licença irão voar. Eu preciso relaxar e simplesmente viver, e parar de agir como se estivesse escrevendo um livro sobre como cuidar de bebês...

    Por isso, se eu conseguir domar esse meu vício (e eu vou conseguir, acreditem) esse blog vai ter menos destes textos de planos e fórmulas (dos quais eu me arrependo de ter escrito no dia seguinte, porque como disse eles parecem funcionar apenas uma vez) e mais fotos e registros dos acontecimentos simples, encantadores e imprevisíveis da vida da nossa Chicorinha...

    domingo, 26 de junho de 2011

    Juntando as peças do quebra-cabeça

    Mais uma noite de gala na casa da Princesa Chicorinha... O bom foi que desta vez fomos percebendo o que estava acontecendo com ela e já traçamos nosso plano para agradá-la e conseguirmos dormir também.

    É que a pequena até uns dias atrás agia como um recém-nascido, ou seja, mamava e automaticamente pegava no sono, dormindo até a próxima mamada. Mas desde os dez dias de idade ela começou a ter dificuldades em adormecer, como acontece com muitos bebês (e também conosco), e fica perdida e nervosa quando acordada, aí só o peito para fazê-la ficar sonolenta. Acontece que após mamar por quase uma hora eu a colocava pra dormir e ela despertava, pedindo mais. Isso se repetiu por 5 vezes seguidas (e ela tem feito isso de dia e de noite) e então eu concluí que duraria para sempre se não quebrássemos o ciclo e a ensinássemos a dormir sem precisar do peito.

    Sou a favor da livre demanda (deixar o bebê mamar o quanto quiser) mas com relação à alimentação, e não à 'chupetação'. Ontem já estava exausta, o corpo todo dolorido, e ela querendo mamar. Pior, quando mais mamava além do que precisava, mais soluços, mais regurgitação, mais sobrecarga para seu sistema digestivo.

    Tentamos dar a chupeta (*), mas ela se recusou. Aí papai viu a situação e a levou para sala pra ficar brincando com ela até fazê-la dormir. Por lá ficaram umas três horas e eu apaguei. Quando voltaram já era hora de mamar de novo e finalmente ela cedeu e dormiu mais três horas. Como eu consegui dormir seis horas praticamente direto, estava bem disposta na manhã para cuidar dela e deixar seu pai dormir outras seis. Assim, descobrimos que o sistema de turnos é uma ótima idéia - e tenho sorte de poder contar com meu marido para isso. Esta noite vamos tentar incluir o banho de ofurô em sua rotina para acalmá-la, dando-o antes da última mamada da noite.

    Esta manhã novamente ela tentou o truque do mamá mas eu já estava esperta, brinquei com ela, coloquei pra ver o móbile e dei as costas do meu dedo mindinho dobrado para ela sugar. Para minha surpresa, a pequena aceitou e logo depois foi fechando os olhinhos. Despertou diversas vezes, mas sem chorar. Ficou um tempão quietinha observando os detalhes da sua roupa de cama e só chorou quando realmente estava com fome de novo, aí depois desta mamada dormiu feito um anjinho e está assim até agora... Segundo a médica, só devemos acordá-la se ficar mais de quatro horas sem se alimentar - então lá vou eu!

    (*) Com relação à chupeta, acho útil até durante os primeiros três meses, devendo ser retirada quando o bebê já se adaptou à vida fora do útero. É impressionante como sugar acalma a Chicorinha, ela precisa muito disso por enquanto. 
    Há uma dica interessante nos vídeos do Dr. Harvey, ao invés de tentar forçar a chupeta ou dedo na boquinha da criança, deve-se fazer o inverso, soltá-los como se ela os fossem perder, pois aí ela suga com mais força e os mantêm no lugar.

    sábado, 25 de junho de 2011

    O baile da princesa

    Não demorou muito pra descobrirmos que esse negócio de rotina não é tão simples assim... Funciona maravilhosamente numa noite; na outra, por algum motivo totalmente desconhecido, a bebê resolve se rebelar e ficar com os olhinhos estalados pedindo atenção madrugada adentro.

    Ontem acabamos fazendo o que os livros e a pediatra nos alertaram para não fazermos: trocar de atividade a cada vez que ela chorava para acalmá-la. Tentamos colo, dar de mamar, ligar o móbile, cantar, dar banho de ofurô - tudo isso entre as 3 e 5 da manhã (o que não é tudo porque das 2 às 3 ela havia mamado e mamaria novamente das 5 às 6, ou seja, durante metade da madrugada permanecemos sem dormir), quando só então conseguimos vencê-la pelo cansaço.

    Há tantas teorias e estamos em dúvida se atendemos suas demandas ou se tentamos adequá-la a uma sistemática sendo assim tão novinha. No fundo, acredito que não há escapatória, pois mesmo que implementemos uma rotina isso irá provocar igualmente seu choro e demorará um bom tempo para surtir efeito.

    Eu por mim nos três primeiros meses, considerado período de adaptação, não me importo de dormir de dia ou de noite, desde que consiga somar pelo menos umas cinco horas de sono diárias. Menos que isso acredito que possa prejudicar muito meu humor, minha memória e produtividade.

    Agora, que foi uma belezinha o primeiro banho de ofurô dela, isso foi. Ela estava chorando muito mas quando a mergulhamos na água automaticamente o choro cessou, e ela ficou o tempo todo satisfeita, curtindo sua piscininha com um olhar tão doce, e ainda reclamou na hora de sair...

    Uma figura, essa Chicorinha.

    sexta-feira, 24 de junho de 2011

    Minha lindópera

    Adoro quando ela coloca as duas mãozinhas embaixo do queixo e dorme aquele soninho gostoso recostada em mim, depois de mamar...

    Ontem de madrugada eu fiquei acarinhando sua bochecha e ela deu vários daqueles sorrisos involuntários de satisfação... Foi a coisa mais linda do mundo, fiquei toda boba e fui dormir encantada com a minha princesa.

    quarta-feira, 22 de junho de 2011

    O pezinho e a pediatra

    Ontem eu já não estava bem, e o teste do pezinho da Chicorinha terminou de acabar comigo. Ouvir aquele grito de dor que ela deu no momento em que furaram seu calcanhar fizeram minhas lágrimas caírem no mesmo instante. O pior foi ver que ela passou a tarde inteira assustada, sobressaltada, sem conseguir dormir, e que teve até diarréia por causa do susto.

    Hoje no entanto a visita à pediatra foi uma delícia. Esclarecemos todas as nossas dúvidas, vimos que estamos no caminho certo e confirmamos que a Chicorinha é uma bebezinha forte e cheia de saúde e muito esfomeada também. Dra. falou que ela compete com os bebês meninos - que levam a fama de 'fominhas' mais do que as meninas. Por conta disso aos oito dias de idade ela já recuperou parte do peso que perdeu desde o seu nascimento - enquanto é normal que alguns bebês continuem emagrecendo até dez dias depois.

    Foram tantas dicas boas e úteis que preciso criar um post com elas...

    Baby blues, uma teoria

    Um dos principais objetivos deste blog, além de narrar o desenvolvimento da nossa Chicorinha, é ajudar as mamães de primeira viagem, e eu tento fazer isso expondo as minhas experiências de uma forma bem aberta. Por esta razão quero falar um pouco mais sobre o baby blues, imaginando que se uma nova mãe chegar aqui e puder compreender melhor o momento pelo qual está passando, vai ter valido muito a pena.

    Ontem bateu de novo em mim aquela melancolia, que se traduz em um choro fácil, uma sensação de ser incapaz de dar conta do recado, um medo do mundo. Essa sensação é conhecida como baby blues, ou melancolia pós parto, e acomete 80% das mães, devido a uma redução drástica de diversos hormônios ativos durante a gravidez. Eu, que acredito que a natureza nunca dá ponto sem nó, fiquei tentando entender o porquê de termos de passar por isso num momento de tamanha felicidade. Eis a minha teoria:

    Certa vez li que após o parto é preciso que a mãe sinta empatia pelo bebê que acaba de nascer, ou seja, que compreenda a situação que ele está passando de tal forma que possa responder conforme suas necessidades. E avaliando o que eu sentia, observei que estava muito próximo daquilo que a Chicorinha poderia estar vivenciando também. Lembro perfeitamente de ter chegado em casa, da maternidade, ela me parecer um lugar totalmente desconhecido, como se eu não morasse aqui há tempos. Isso se parece muito com o que aconteceu com a pequena, porque ela foi tirada daquele ambiente uterino que conhecia tão bem, e trazida para um lugar estranho. Da mesma maneira, o fato de eu ter sido 'tirada dela' e ela ter sido 'tirada de mim' também é um choque, um trauma a ser superado. Até então a mamãezinha dela era um coração pulsante e um útero protetor. Para mim, a minha filhinha era aquela sensação gostosa se movendo na minha barriga. Agora a gente está se conhecendo de uma forma completamente nova. Por isso essa sensação de estar perdida que vai e vem, para mim e para ela.

    Ontem, no entanto, tive um insight. Se eu tava com tamanha vontade de chorar, então eu ia chorar de verdade. E não mais conter. Faria como a Chicorinha, que se esgoela até conseguir se acalmar. Fechei a sacada e lá abri o berreiro. Nada de choro baixo pra não incomodar ninguém, eu queria chorar alto e escandalosamente o tempo que quisesse e foi o que fiz. Chorei até pôr tudo pra fora. E melhorou. Melhorou 100%. Se anteontem eu sentia uma certa euforia, hoje eu me sinto em paz, sinto ser eu mesma de novo.

    Por isso se alguma leitora estiver passando por algo assim eis a minha sugestão: compreenda o motivo disso, antes de tudo, e depois vá pro seu canto e chore, chore alto, chore muito, chore até passar, como faz o seu bebê. Não deixe nenhuma minhoca na cabeça, jogue tudo pra fora.

    E depois comece a botar a casa em ordem. Se está te incomodando amamentar de madrugada com um olho aberto e outro quase fechando, vá pra sala, carregue o bebê contigo pra poltrona mais confortável, pegue o controle remoto e aproveite a programação da madrugada (estes dias tava passando Trocando as Bolas na Universal, um clássico da Sessão da Tarde). Facilite sua vida. Acredite, aquela dor ardida nos mamilos melhora quando a gente está de bom humor, e depois nem vai doer mais. Adeque a nova rotina aos seus antigos hábitos que podem ser adaptados ou mantidos. Inclua as pequenas coisas que te dão prazer e que ainda cabem em sua nova vida. Coma um doce. Retome seu mundo de volta. E saiba que mesmo essa tristeza também é reflexo do amor enorme que você sente pelo seu filho. Que ela faz parte, e que passa.

    segunda-feira, 20 de junho de 2011

    E tudo é festa na casa da Chicorinha

    Não sei se foi a boa noite de sono que tivemos mas hoje o dia amanheceu completamente ensolarado. Minha casa voltou a ser o meu lugar, sinto-me feliz, feliz, feliz, confiante, segura e parece que aquela melancolia e sensação de estar meio perdida foram embora, e espero que não voltem mais. Bye, bye, baby blues...

    Realmente, uma rotina flexível é a melhor coisa que se pode fazer por um bebê. Depois de muito chororô descobrimos o segredo da Chicorinha: trocar fralda, mamar de 3 em 3 horas, esvaziar um peito, arrotar, completar com o outro, arrotar, dormir outras 3 horas. Assim ela fica o dia todo tranqüila, feliz e satisfeita, só chora um pouco nas trocas de fralda e de vez em quando no carrinho, mas pára rápido sem precisarmos acudi-la. Esta noite dormimos maravilhosamente bem por conta desse ritual.

    Nunca pensei que pudesse ficar alegre ao ver uma fralda cheia de cocô mas por ser sinal de que ela está sendo bem alimentada e com tudo funcionando direitinho até isso temos festejado. Papai, que jurou nunca trocar uma fralda, já entrou na dança também. Ele passa meio mal mas até que tira de letra.

    O carrinho berço (Galzerano Joaninha) foi a melhor aquisição de todas. É super confortável e ela dorme nele dia e noite, e o carregamos para o cômodo da casa onde estamos com muita facilidade. Pena que logo ficará pequeno e assim teremos que usar o berço mesmo.

    Eu sempre achei que iria colocá-la pra dormir de barriga pra cima, como preconizam as atuais campanhas de saúde, no entanto no hospital as enfermeiras nos disseram que não seguem esta prática porque se houver algum retorno de líquido ele pode ir para o aparelho respiratório, então elas deixam os bebês sempre de lado, por isso também estamos fazendo desse jeito aqui em casa.

    Algumas coisas que ainda preciso aprender melhor são dar banho (por enquanto quem tem feito isso é a vó Felícia) e pegar mais habilidade na troca das fraldas e roupinhas. Como é difícil colocar as mãozinhas dela numa manga estreita protegendo seus dedinhos minúsculos!

    Agora ela está lá na sala com os avós, dormindo no carrinho feito um anjo. Vou ver se hoje toco pra ela mais tarde um pouquinho daquele cd que gravamos... E assim, devagar, seguindo seu curso natural, as coisas começam a se encaixar, delineando os novos e alegres dias dessa família recém-nascida...

    domingo, 19 de junho de 2011

    Primeiras impressões sobre o ofício materno

    Ser mãe de primeira viagem é como cair de paraquedas num primeiro emprego sem qualquer experiência, tendo que aprender tudo na prática e imediatamente. Além disso, é um trabalho, de primeiro momento, muito 'braçal', físico, exigente demais para um corpo que acabou de passar por um parto normal ou cesariano que invariavelmente traz cansaço e dores.

    A rotina muda completamente. Minha casa parece um território estranho, o relógio biológico bagunçado como se sofrendo efeitos de um fuso horário radical. Os hormônios ficam malucos e a gente passa de um estado de sublime satisfação para outro melancólico sem saber como nem por quê.

    Definitivamente não é fácil. No momento meus mamilos estão feridos, a cicatriz da cirurgia e o útero também doem, de madrugada tento manter os olhos abertos enquanto amamento a Chicorinha, de dia me preocupo em aprender o que puder para cuidar bem dela e ainda tenho que me policiar pra não sair chorando sem motivo concreto. Ao mesmo tempo sinto tanta paz ao amamentá-la, fico orgulhosa quando ela me olha demoradamente, consigo encontrar um espaço para fazer minhas coisas, como escrever aqui no blog, e encaro com bom humor essa rotina diferente e trabalhosa.

    Uma coisa que se torna imperativa quase que de imediato é a necessidade de se crer em algo maior que nós mesmas capaz de nos amparar e proteger nossa cria quando isso não depender da gente. Eu que não sou religiosa tenho me agarrado e pedido a um poder superior que proteja a minha filha de qualquer mal e que me dê forças para fazer sempre o melhor por ela.

    Sei que esse período de adaptação passará rapidamente, em questão de meses, e que vou morrer de saudades dessa época. Tento me lembrar, acima de tudo, de me divertir em todos os momentos, aproveitando esta viagem de montanha russa (que eu achei que seria o parto, ledo engano), porque olhando novamente para esta fase quando já não estiver sob efeito dessa ansiedade toda, irei reconhecer nela a mais plena felicidade e os melhores dias da minha vida, pois tudo o que está acontecendo agora, eu sei, são as manifestações de um Amor imenso a crescer e crescer dentro de mim...

    sábado, 18 de junho de 2011

    A manhã rompeu

    Morning has broken, like the first morning
    Blackbird has spoken, like the first bird
    Praise for the singing, praise for the morning
    Praise for the springing fresh from the word

    Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
    Like the first dewfall, on the first grass
    Praise for the sweetness of the wet garden
    Sprung in completeness where his feet pass

    Mine is the sunlight, mine is the morning
    Born of the one light, Eden saw play
    Praise with elation, praise every morning
    God's recreation of the new day



    Ah, eu tenho tanta coisa para escrever mas não sei se sou capaz, o que quero dizer agora é que estamos vivendo os dias mais incríveis de nossas vidas e que a Catarina é um raio de sol nesta casa, que nos encanta a todo momento.

    Fico lembrando das últimas noites sem dormir, contando os dias para vê-la, sentindo-a dentro de mim, sentada na poltrona da sala, e agora nesta mesma poltrona eu a amamento e isso é simplesmente um sonho realizado.

    Nos primeiros dias ela estava tão assustada com esse mundo de fora e eu também por vê-la tão pequenina e dependente, mas agora nós duas já estamos adaptadas e a calma e a confiança são os sentimentos mais fortes.

    Sou muito grata por estar conseguindo amamentá-la, é impressionante como ela fica segura e relaxada nestes  momentos, como se estivesse novamente na tranqüilidade do seu mundinho uterino. Observá-la assim foi o que me fez perceber que sou capaz de acalmá-la e dar tudo o que ela precisa para esta primeira fase de sua vida tão nova.

    O Vanderson tem sido um junto comigo, nunca me senti tão conectada a ele e é impressionante o seu instinto paternal de se dedicar integralmente a ela com um amor incondicional. Estamos vivendo momentos lindos e inesquecíveis de aprendizado e emoção.

    Obrigada a todos os que nos acompanharam, a todos que têm nos ajudado especialmente a vovó Felícia que tem sido maravilhosa, a todos os que celebram conosco a chegada desse milagrinho chamado Catarina!

    (Obs: a música no início do post me fazia chorar de emoção durante a gravidez - e agora mais ainda - porque ela traduz toda a beleza do que estamos vivendo. Ela pode ser ouvida, com tradução, aqui).













    terça-feira, 14 de junho de 2011

    Aiai, é Hoje!!

    Acabo de voltar da médica e marcamos a cesárea para hoje, quando ela terminar o expediente no consultório. Foi uma decisão difícil, eu realmente estava preparada para o parto normal mas não para esperar mais do que quarenta semanas (completadas hoje, com uma margem de três a quatro dias). Após o exame constatamos que da semana anterior para esta não houve muita mudança no meu estado - apenas um dedo de dilatação causada muito provavelmente pelo encaixamento e não por contrações, que nem cheguei a sentir - e não havia nenhum sinal de que a Chicorinha poderia nascer por estes dias. Diante da hipótese de ter de aguardar mais uma semana, chegando a 41 ou mais, pesando os prós e os contras decidi pela cesárea, com total apoio da minha médica.

    A nossa Dra. é uma profissional de princípios muito sólidos e deixou claro desde o princípio que iríamos esperar o tempo certo e dar preferência ao parto normal, tanto que o Enzo, nosso afilhado, nasceu com ela dessa maneira, com 39 semanas. Hoje tivemos uma conversa franca porque eu estava muito em dúvida sobre o que fazer e ela me disse que, às 40 semanas, optar por cesárea ou parto normal é justamente isso, uma opção. Totalmente diferente de chegar no primeiro dia do pré-natal querendo ditar a quantas semanas se pretende fazer a cesárea, como ela disse acontecer com várias gestantes que a procuram.

    Contei a ela sobre a minha preocupação de os hormônios envolvidos no trabalho de parto não agirem devido à cesárea (a oxitocina, que causa as contrações uterinas também é o hormônio que faz com que a mãe reforce seus laços afetivos com o bebê), mas ela me disse que não preciso me preocupar com isso porque eu já tenho laços formados durante a gestação e após a cesárea, quando eu vir a minha filha, a oxitocina virá de qualquer maneira. Mais uma vez ela afirmou que essa situação é diferente daquela em que a mãe já não demonstra possuir laços suficientes com o bebê ao exigir ajustá-lo à sua agenda, sem se preocupar sequer com seu bem estar ao nascer no tempo certo.

    Tudo isso me deixou segura para optar pela cesárea sem culpa. Acho que é difícil para quem não está vivenciando tudo isso entender como essa escolha acaba sendo pesada, principalmente quando a gente participa de grupos de discussão e percebe o quanto se condena este gesto 'anti-natural' de não se esperar pelo nascimento, como se não houvesse outros fatores envolvidos, sendo um deles o nosso limiar para aceitar riscos desnecessários - já que após as quarenta semanas é preciso um monitoramento quase diário pois a situação já vai ficando cada vez mais delicada...

    Bom, gente, meu corpo está tremendo todo de ansiedade e vou tentar agora me acalmar. Peço que torçam por nós e em  breve voltamos com as novidades...

    (Vem, Catarina!!)

    sábado, 4 de junho de 2011

    Playlist da Chicorinha


    Gravei um cd pra tocar pra pequena com músicas que considero leves, calmas ou alegres (independentemente da letra - o Clash, por exemplo, costuma colocar temas seríssimos e pesados em melodias bem tranqüilas - de qualquer maneira, tá tudo em inglês mesmo...) .
    Vamos ver se ela vai gostar da seleção da mamãe... Espero que vocês gostem também, pelo menos de algumas!