Quando criança eu era encantada pela mitologia grega. Meu livro preferido era “O Minotauro”, do Monteiro Lobato, e tinha um filme que passava na sessão da tarde chamado Fúria de Titãs que eu não perdia por nada desse mundo. Lembro que ficava fascinada com uma cena em que Zeus pegava os seres humanos (que pra ele nada mais eram do que pecinhas de barro em uma imensa prateleira) e os colocava onde queria num estádio em miniatura, que era o mundo.
Pra mim as mães e os pais são como semideuses, porque pela ação deles uma vida nova surge e é trazida ao mundo. E vejo isso como uma responsabilidade tão grande porque embora possamos dar a vida, diferentes de Zeus, não temos poder sobre o destino daquela pessoa que geramos. E pensar nisso me dá uma aflição enorme porque eu queria poder me certificar de que tudo na vida da minha filha fosse perfeito, sempre. Mas a verdade é que eu sei que nesse estádio ela vai ter que enfrentar os mesmos leões que todos nós enfrentamos dia após dia por conta própria, e o máximo que vou poder fazer, além de dar-lhe toda a formação e conhecimento que puder, é ficar ao seu lado orientando, ajudando e torcendo para que ela vença essas batalhas.
Esta minha gravidez está sendo como um voto de confiança que dou à vida. É como se eu pesasse os prós e os contras numa balança e constatasse que mesmo diante das incertezas vale a pena trazer mais alguém pra cá por causa de todas as coisas boas, gratificantes e belas a serem vividas. E também por acreditar que todo ser humano, apesar do seu corpo frágil de barro, ou melhor, de carne e osso, tem uma força descomunal dentro de si que o torna capaz de enfrentar as diversidades a que está sujeito. Minha deusa preferida do Olimpo é a Atena. A guerreira que usa a estratégia, a sabedoria e a justiça como armas, patrona das artes e da civilização. E o meu desejo é que a Chicorinha se desenvolva assim, com o escudo do conhecimento, com o elmo da sabedoria e vestida com os valores da Arte - equilíbrio, harmonia, beleza e emoção - porque dessa forma, mesmo não sendo nem deusa e nem semideusa, ela será dona do próprio destino, capaz de escrever sua história da melhor maneira que desejar.
Rene Descartes, o filósofo dizia que Deus era um grande genio enganador...Ao ler um pouco de sua obra tive essa impressão também..que ele achava que deus pegava os seres humaos e colocava eles onde ele queria, como se fossem bonequinhos...Olha só Deus brincado de play mobil
ResponderExcluirBom, Deus com D maiúsculo em vez do Z eu já não sei... De qualquer forma tenho sido grata todos os dias pela Chicorinha e devo reconhecer que a vida (ou alguma força a quem chamamos Deus) também nos traz surpresas maravilhosas, né?
ResponderExcluirUm beijo e obrigada pelo comentário.
Adoro essas divagações cheias de reflexões. O que é a vida se não pensamos nela? E as mitologias são excelentes meios de nos fazer pensar em nossas próprias vidas, pelo forte caráter catártico que elas carregam, assim como as parábolas da Bíblia...
ResponderExcluirNós lemos e pensamos sobre os d(D)euses(as)e repensamos as nossas vidas.
Os Deuses são deuses porque não se pensam, e essa frase não é minha é do Fernando Pessoa.
Quem é que precisa de quem afinal? Quem é o criador e quem é a criatura?