quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Como Chicória conheceu Chicorinha

Ela começou como uma apendicite. Ou melhor, a mãe achava que era. Três anos depois de um aborto espontâneo, tratamento com Clomid, tabelas de ovulação e nenhum sinal de gravidez finalmente se convenceu de que a maternidade não era para si. Mesmo nunca tendo demonstrado qualquer instinto ou interesse maternal, nem mesmo jeito com crianças, depois daquele Carnaval em que descobriu estar grávida e dos seis dias em que precisou primeiro se adaptar e logo depois se desfazer da idéia, percebeu que a perda lhe deixou uma marca e sentiu falta de ter vivenciado aquela aventura tão inesperada. Assim também ocorrera com o pai.

Estava passando por um período de crise, sentindo-se insegura e sem entender o porquê de pensamentos negativos que teimavam em invadir sua mente quando decidiu recorrer à meditação e ao desenho (que também é uma forma de meditação) para tentar retomar sua serenidade. A estratégia funcionou, ela voltou a apreciar os pequenos prazeres que a vida lhe reservava todos os dias. E passou a admirar seu futuro e as coisas que ainda iria viver, mesmo que a maternidade não estivesse entre elas.

É um mistério tentar compreender por que Chicorinha esperou justamente este momento para aparecer em sua vida, mas assim foi. Os enjôos e dores na lateral da barriga sugeriam um apendicite, a não ser por um pequeno detalhe, o lado que dóia era o oposto ao do apêndice... Por desencargo de consciência fez um teste de  farmácia e bem no meio de uma gripe mal humorada a gravidez foi descoberta.

Preparou-se para o pior. Era impossível ao casal guardar a notícia apenas para si, então ela foi dada aos amigos próximos juntamente com a precaução de não alimentarem muitas esperanças. Ela tinha medo de se apegar à idéia e depois ser obrigada a desfazer-se dela. Ele, no entanto, desde o primeiro dia tinha esperança e alegria, e lhe incentivava a confiança.

Depois do ultrassom em que viram pela primeira vez o coraçãozinho daquele pequeno ser em forma de feijão piscando na tela e batendo rápido e forte, tiveram certeza de que daquela vez a experiência seria diferente.

Hoje, beirando o quinto mês de gestação, ela decidiu escrever um blog para falar de tudo o que tem povoado sua mente neste período, desde grandes questões filosóficas até o melhor modelo de carrinho disponível no mercado. Por que não?

5 comentários:

  1. Simplesmente adoro o jeito como você escreve!
    Que texto lindo, assim como a história que ele conta!

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  2. Me emociono com você a cada nova atitude com relação à Chicórinha, ela terá uma linda história, de sua própria vida, sempre que quiser ler, ou saber de algum detalhe.

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  3. Obrigada, Ju, um dia ainda vou escrever algo especial sobre a madrinha da Chicorinha, rs...

    Rô, obrigada pela visita, tomara que esse blog dure o suficiente para que a Chicorinha possa lê-lo! Beijos!

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  4. OI, Lilian!
    Nossa me emocionei e muito! Que texto lindo mesmo e como eu queria escrever como você! Parabéns mesmo...você envolve muito o leitor e emociona muito! A Chicorinha esperou tanto porque ma[e é isso mesmo, ne? Padecer no paraíso..ela já começou te trazendo muitas emoções, sonhos e expectativas e quem vai viver o sonho vai ser ela, sendo abençoada com uma mãe tão maravilhosa!!!!!!

    Débora Prado

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  5. Nossa que emoção ao ler sua história...Perdi meu primeiro bebê a alguns meses e ainda me sinto fragilizada, era nosso primeiro filho, tb tomei Clomid só que tive gravidez ectópica, foi tudo muito tumultuado no dia que sentir fortes dores descobrir que estava grávida e tive que fazer a cirurgia no mesmo dia. Mas estou me recuperando e vou fazer tudo de novo, para que Deus nos abençoe e nos conceda essa graça, que sei que é maravilhosa. Parabéns pelo seu blog. Um forte abraço.

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