Oi, meu nome é Chicória e sou viciada em planejamento. Não sei desde quando isso começou, só sei que tenho mania de escrever manuais sobre absolutamente tudo, organizando procedimentos sejam eles de trabalho, viagens, projetos de vida e agora, cuidados com a Chicorinha.
Só pra ilustrar, no tema Viagem: quando fomos visitar a Serra Gaúcha eu escolhi uma época muito específica, para pegar as cores amareladas e avermelhadas mais intensas do outono nas folhagens dos plátanos e bordos. Contudo, ao chegar em Gramado, passei a tarde toda de mau humor porque as árvores não estavam suficientemente coloridas como eu havia planejado que estariam... É mole?
Minha cabeça fica o tempo todo trabalhando para criar estratégias de ação, como se eu precisasse de uma fórmula infalível equacionando eficientemente todas as necessidades de nossa filha e as nossas. Acho que dá pra perceber essa minha tendência a sistematizar ações e até mesmo pensamentos pelos últimos posts deste blog, que nada mais são do que as minhas tentativas de desenrolar o novelo mental que se formou com as minhas novas atividades de mãe.
Sei que faço isso pra me sentir segura. Parece que tendo tudo pensado e por escrito, nada vai me escapar, nada vai sair do meu controle. Mas a verdade é que isso não está me fazendo bem. Tenho ficado angustiada toda vez que imagino ter encontrado a forma correta de agir - dar de mamar de tanto em tanto tempo e se caso ela chorar fazer isso ou aquilo - e no momento seguinte a pequena me surpreende respondendo de forma totalmente diversa do que eu esperava.
Por exemplo, ontem li um texto sobre amamentação por livre demanda que mexeu um pouco com as minhas certezas. Imaginei que se pensasse um pouco mais conseguiria chegar num meio-termo, mantendo a rotina alimentar de três em três horas mas permitindo que a pequena sugasse nos momentos de estresse de modo que isso a fizesse adormecer. Tentei a experiência mas tudo o que consegui foi um bebê sem sono algum, como se sugando, mais ela quisesse sugar, ao invés de dormir. Além disso, como explicar que o pai consegue acalmá-la, apesar de seus apelos, com colo, musiquinhas e embalo, e que às vezes ela simplesmente pára e se acalma, e fica ali quietinha e absorta, apreciando o ambiente ao seu redor?
Aliás, o Sr. Chicório é o inverso de mim. Ele faz tudo de forma tão intuitiva e com isso se preocupa menos, se estressa menos e acaba tendo ações mais eficientes do que as minhas. Por esta razão decidi que vou me esforçar para deixar de lado essa minha necessidade de ter cada detalhe milimetricamente controlado e relaxar, agir naturalmente, instintivamente, conhecer a personalidade e necessidades da minha filha um dia de cada vez, sem seguir um plano ou estratégia pré-definida. Claro que quero manter essa rotininha básica que nos ajuda a organizar o dia, mas sem toda essa neura de planejar cada passo de sua vida desde já.
Nos primeiros dias até a casa parecia testar meus limites de organização pois no espaço de uma semana e meia a máquina de lavar quebrou, a privada entupiu, o mouse parou de funcionar e o micro ficou lento, caiu a haste dos meus óculos e eu cada vez mais inconformada com esta revolta repentina dos objetos domésticos justo num momento tão delicado. Mas, pensando bem agora, talvez o mundo estivesse tentando me dizer: 'let it be', relaxa, solta as rédeas e deixa rolar...
A pequena já está com quinze dias, seu umbiguinho já caiu e eu não posso mais perder tempo montando sistemáticas. Eu preciso viver intensamente cada momento fugidio porque se a metade do mês já passou assim, os seis meses da minha licença irão voar. Eu preciso relaxar e simplesmente viver, e parar de agir como se estivesse escrevendo um livro sobre como cuidar de bebês...
Por isso, se eu conseguir domar esse meu vício (e eu vou conseguir, acreditem) esse blog vai ter menos destes textos de planos e fórmulas (dos quais eu me arrependo de ter escrito no dia seguinte, porque como disse eles parecem funcionar apenas uma vez) e mais fotos e registros dos acontecimentos simples, encantadores e imprevisíveis da vida da nossa Chicorinha...
"O que estamos aprendendo, vivendo e pensando neste processo maternal, a quem interessar possa"
quarta-feira, 29 de junho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
Juntando as peças do quebra-cabeça
Mais uma noite de gala na casa da Princesa Chicorinha... O bom foi que desta vez fomos percebendo o que estava acontecendo com ela e já traçamos nosso plano para agradá-la e conseguirmos dormir também.
É que a pequena até uns dias atrás agia como um recém-nascido, ou seja, mamava e automaticamente pegava no sono, dormindo até a próxima mamada. Mas desde os dez dias de idade ela começou a ter dificuldades em adormecer, como acontece com muitos bebês (e também conosco), e fica perdida e nervosa quando acordada, aí só o peito para fazê-la ficar sonolenta. Acontece que após mamar por quase uma hora eu a colocava pra dormir e ela despertava, pedindo mais. Isso se repetiu por 5 vezes seguidas (e ela tem feito isso de dia e de noite) e então eu concluí que duraria para sempre se não quebrássemos o ciclo e a ensinássemos a dormir sem precisar do peito.
Sou a favor da livre demanda (deixar o bebê mamar o quanto quiser) mas com relação à alimentação, e não à 'chupetação'. Ontem já estava exausta, o corpo todo dolorido, e ela querendo mamar. Pior, quando mais mamava além do que precisava, mais soluços, mais regurgitação, mais sobrecarga para seu sistema digestivo.
Tentamos dar a chupeta (*), mas ela se recusou. Aí papai viu a situação e a levou para sala pra ficar brincando com ela até fazê-la dormir. Por lá ficaram umas três horas e eu apaguei. Quando voltaram já era hora de mamar de novo e finalmente ela cedeu e dormiu mais três horas. Como eu consegui dormir seis horas praticamente direto, estava bem disposta na manhã para cuidar dela e deixar seu pai dormir outras seis. Assim, descobrimos que o sistema de turnos é uma ótima idéia - e tenho sorte de poder contar com meu marido para isso. Esta noite vamos tentar incluir o banho de ofurô em sua rotina para acalmá-la, dando-o antes da última mamada da noite.
Esta manhã novamente ela tentou o truque do mamá mas eu já estava esperta, brinquei com ela, coloquei pra ver o móbile e dei as costas do meu dedo mindinho dobrado para ela sugar. Para minha surpresa, a pequena aceitou e logo depois foi fechando os olhinhos. Despertou diversas vezes, mas sem chorar. Ficou um tempão quietinha observando os detalhes da sua roupa de cama e só chorou quando realmente estava com fome de novo, aí depois desta mamada dormiu feito um anjinho e está assim até agora... Segundo a médica, só devemos acordá-la se ficar mais de quatro horas sem se alimentar - então lá vou eu!
(*) Com relação à chupeta, acho útil até durante os primeiros três meses, devendo ser retirada quando o bebê já se adaptou à vida fora do útero. É impressionante como sugar acalma a Chicorinha, ela precisa muito disso por enquanto.
Há uma dica interessante nos vídeos do Dr. Harvey, ao invés de tentar forçar a chupeta ou dedo na boquinha da criança, deve-se fazer o inverso, soltá-los como se ela os fossem perder, pois aí ela suga com mais força e os mantêm no lugar.
É que a pequena até uns dias atrás agia como um recém-nascido, ou seja, mamava e automaticamente pegava no sono, dormindo até a próxima mamada. Mas desde os dez dias de idade ela começou a ter dificuldades em adormecer, como acontece com muitos bebês (e também conosco), e fica perdida e nervosa quando acordada, aí só o peito para fazê-la ficar sonolenta. Acontece que após mamar por quase uma hora eu a colocava pra dormir e ela despertava, pedindo mais. Isso se repetiu por 5 vezes seguidas (e ela tem feito isso de dia e de noite) e então eu concluí que duraria para sempre se não quebrássemos o ciclo e a ensinássemos a dormir sem precisar do peito.
Sou a favor da livre demanda (deixar o bebê mamar o quanto quiser) mas com relação à alimentação, e não à 'chupetação'. Ontem já estava exausta, o corpo todo dolorido, e ela querendo mamar. Pior, quando mais mamava além do que precisava, mais soluços, mais regurgitação, mais sobrecarga para seu sistema digestivo.
Tentamos dar a chupeta (*), mas ela se recusou. Aí papai viu a situação e a levou para sala pra ficar brincando com ela até fazê-la dormir. Por lá ficaram umas três horas e eu apaguei. Quando voltaram já era hora de mamar de novo e finalmente ela cedeu e dormiu mais três horas. Como eu consegui dormir seis horas praticamente direto, estava bem disposta na manhã para cuidar dela e deixar seu pai dormir outras seis. Assim, descobrimos que o sistema de turnos é uma ótima idéia - e tenho sorte de poder contar com meu marido para isso. Esta noite vamos tentar incluir o banho de ofurô em sua rotina para acalmá-la, dando-o antes da última mamada da noite.
Esta manhã novamente ela tentou o truque do mamá mas eu já estava esperta, brinquei com ela, coloquei pra ver o móbile e dei as costas do meu dedo mindinho dobrado para ela sugar. Para minha surpresa, a pequena aceitou e logo depois foi fechando os olhinhos. Despertou diversas vezes, mas sem chorar. Ficou um tempão quietinha observando os detalhes da sua roupa de cama e só chorou quando realmente estava com fome de novo, aí depois desta mamada dormiu feito um anjinho e está assim até agora... Segundo a médica, só devemos acordá-la se ficar mais de quatro horas sem se alimentar - então lá vou eu!
(*) Com relação à chupeta, acho útil até durante os primeiros três meses, devendo ser retirada quando o bebê já se adaptou à vida fora do útero. É impressionante como sugar acalma a Chicorinha, ela precisa muito disso por enquanto.
Há uma dica interessante nos vídeos do Dr. Harvey, ao invés de tentar forçar a chupeta ou dedo na boquinha da criança, deve-se fazer o inverso, soltá-los como se ela os fossem perder, pois aí ela suga com mais força e os mantêm no lugar.
sábado, 25 de junho de 2011
O baile da princesa
Não demorou muito pra descobrirmos que esse negócio de rotina não é tão simples assim... Funciona maravilhosamente numa noite; na outra, por algum motivo totalmente desconhecido, a bebê resolve se rebelar e ficar com os olhinhos estalados pedindo atenção madrugada adentro.
Ontem acabamos fazendo o que os livros e a pediatra nos alertaram para não fazermos: trocar de atividade a cada vez que ela chorava para acalmá-la. Tentamos colo, dar de mamar, ligar o móbile, cantar, dar banho de ofurô - tudo isso entre as 3 e 5 da manhã (o que não é tudo porque das 2 às 3 ela havia mamado e mamaria novamente das 5 às 6, ou seja, durante metade da madrugada permanecemos sem dormir), quando só então conseguimos vencê-la pelo cansaço.
Há tantas teorias e estamos em dúvida se atendemos suas demandas ou se tentamos adequá-la a uma sistemática sendo assim tão novinha. No fundo, acredito que não há escapatória, pois mesmo que implementemos uma rotina isso irá provocar igualmente seu choro e demorará um bom tempo para surtir efeito.
Eu por mim nos três primeiros meses, considerado período de adaptação, não me importo de dormir de dia ou de noite, desde que consiga somar pelo menos umas cinco horas de sono diárias. Menos que isso acredito que possa prejudicar muito meu humor, minha memória e produtividade.
Agora, que foi uma belezinha o primeiro banho de ofurô dela, isso foi. Ela estava chorando muito mas quando a mergulhamos na água automaticamente o choro cessou, e ela ficou o tempo todo satisfeita, curtindo sua piscininha com um olhar tão doce, e ainda reclamou na hora de sair...
Uma figura, essa Chicorinha.
Ontem acabamos fazendo o que os livros e a pediatra nos alertaram para não fazermos: trocar de atividade a cada vez que ela chorava para acalmá-la. Tentamos colo, dar de mamar, ligar o móbile, cantar, dar banho de ofurô - tudo isso entre as 3 e 5 da manhã (o que não é tudo porque das 2 às 3 ela havia mamado e mamaria novamente das 5 às 6, ou seja, durante metade da madrugada permanecemos sem dormir), quando só então conseguimos vencê-la pelo cansaço.
Há tantas teorias e estamos em dúvida se atendemos suas demandas ou se tentamos adequá-la a uma sistemática sendo assim tão novinha. No fundo, acredito que não há escapatória, pois mesmo que implementemos uma rotina isso irá provocar igualmente seu choro e demorará um bom tempo para surtir efeito.
Eu por mim nos três primeiros meses, considerado período de adaptação, não me importo de dormir de dia ou de noite, desde que consiga somar pelo menos umas cinco horas de sono diárias. Menos que isso acredito que possa prejudicar muito meu humor, minha memória e produtividade.
Agora, que foi uma belezinha o primeiro banho de ofurô dela, isso foi. Ela estava chorando muito mas quando a mergulhamos na água automaticamente o choro cessou, e ela ficou o tempo todo satisfeita, curtindo sua piscininha com um olhar tão doce, e ainda reclamou na hora de sair...
Uma figura, essa Chicorinha.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Minha lindópera
Adoro quando ela coloca as duas mãozinhas embaixo do queixo e dorme aquele soninho gostoso recostada em mim, depois de mamar...
Ontem de madrugada eu fiquei acarinhando sua bochecha e ela deu vários daqueles sorrisos involuntários de satisfação... Foi a coisa mais linda do mundo, fiquei toda boba e fui dormir encantada com a minha princesa.
Ontem de madrugada eu fiquei acarinhando sua bochecha e ela deu vários daqueles sorrisos involuntários de satisfação... Foi a coisa mais linda do mundo, fiquei toda boba e fui dormir encantada com a minha princesa.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O pezinho e a pediatra
Ontem eu já não estava bem, e o teste do pezinho da Chicorinha terminou de acabar comigo. Ouvir aquele grito de dor que ela deu no momento em que furaram seu calcanhar fizeram minhas lágrimas caírem no mesmo instante. O pior foi ver que ela passou a tarde inteira assustada, sobressaltada, sem conseguir dormir, e que teve até diarréia por causa do susto.
Hoje no entanto a visita à pediatra foi uma delícia. Esclarecemos todas as nossas dúvidas, vimos que estamos no caminho certo e confirmamos que a Chicorinha é uma bebezinha forte e cheia de saúde e muito esfomeada também. Dra. falou que ela compete com os bebês meninos - que levam a fama de 'fominhas' mais do que as meninas. Por conta disso aos oito dias de idade ela já recuperou parte do peso que perdeu desde o seu nascimento - enquanto é normal que alguns bebês continuem emagrecendo até dez dias depois.
Foram tantas dicas boas e úteis que preciso criar um post com elas...
Hoje no entanto a visita à pediatra foi uma delícia. Esclarecemos todas as nossas dúvidas, vimos que estamos no caminho certo e confirmamos que a Chicorinha é uma bebezinha forte e cheia de saúde e muito esfomeada também. Dra. falou que ela compete com os bebês meninos - que levam a fama de 'fominhas' mais do que as meninas. Por conta disso aos oito dias de idade ela já recuperou parte do peso que perdeu desde o seu nascimento - enquanto é normal que alguns bebês continuem emagrecendo até dez dias depois.
Foram tantas dicas boas e úteis que preciso criar um post com elas...
Baby blues, uma teoria
Um dos principais objetivos deste blog, além de narrar o desenvolvimento da nossa Chicorinha, é ajudar as mamães de primeira viagem, e eu tento fazer isso expondo as minhas experiências de uma forma bem aberta. Por esta razão quero falar um pouco mais sobre o baby blues, imaginando que se uma nova mãe chegar aqui e puder compreender melhor o momento pelo qual está passando, vai ter valido muito a pena.
Ontem bateu de novo em mim aquela melancolia, que se traduz em um choro fácil, uma sensação de ser incapaz de dar conta do recado, um medo do mundo. Essa sensação é conhecida como baby blues, ou melancolia pós parto, e acomete 80% das mães, devido a uma redução drástica de diversos hormônios ativos durante a gravidez. Eu, que acredito que a natureza nunca dá ponto sem nó, fiquei tentando entender o porquê de termos de passar por isso num momento de tamanha felicidade. Eis a minha teoria:
Certa vez li que após o parto é preciso que a mãe sinta empatia pelo bebê que acaba de nascer, ou seja, que compreenda a situação que ele está passando de tal forma que possa responder conforme suas necessidades. E avaliando o que eu sentia, observei que estava muito próximo daquilo que a Chicorinha poderia estar vivenciando também. Lembro perfeitamente de ter chegado em casa, da maternidade, ela me parecer um lugar totalmente desconhecido, como se eu não morasse aqui há tempos. Isso se parece muito com o que aconteceu com a pequena, porque ela foi tirada daquele ambiente uterino que conhecia tão bem, e trazida para um lugar estranho. Da mesma maneira, o fato de eu ter sido 'tirada dela' e ela ter sido 'tirada de mim' também é um choque, um trauma a ser superado. Até então a mamãezinha dela era um coração pulsante e um útero protetor. Para mim, a minha filhinha era aquela sensação gostosa se movendo na minha barriga. Agora a gente está se conhecendo de uma forma completamente nova. Por isso essa sensação de estar perdida que vai e vem, para mim e para ela.
Ontem, no entanto, tive um insight. Se eu tava com tamanha vontade de chorar, então eu ia chorar de verdade. E não mais conter. Faria como a Chicorinha, que se esgoela até conseguir se acalmar. Fechei a sacada e lá abri o berreiro. Nada de choro baixo pra não incomodar ninguém, eu queria chorar alto e escandalosamente o tempo que quisesse e foi o que fiz. Chorei até pôr tudo pra fora. E melhorou. Melhorou 100%. Se anteontem eu sentia uma certa euforia, hoje eu me sinto em paz, sinto ser eu mesma de novo.
Por isso se alguma leitora estiver passando por algo assim eis a minha sugestão: compreenda o motivo disso, antes de tudo, e depois vá pro seu canto e chore, chore alto, chore muito, chore até passar, como faz o seu bebê. Não deixe nenhuma minhoca na cabeça, jogue tudo pra fora.
E depois comece a botar a casa em ordem. Se está te incomodando amamentar de madrugada com um olho aberto e outro quase fechando, vá pra sala, carregue o bebê contigo pra poltrona mais confortável, pegue o controle remoto e aproveite a programação da madrugada (estes dias tava passando Trocando as Bolas na Universal, um clássico da Sessão da Tarde). Facilite sua vida. Acredite, aquela dor ardida nos mamilos melhora quando a gente está de bom humor, e depois nem vai doer mais. Adeque a nova rotina aos seus antigos hábitos que podem ser adaptados ou mantidos. Inclua as pequenas coisas que te dão prazer e que ainda cabem em sua nova vida. Coma um doce. Retome seu mundo de volta. E saiba que mesmo essa tristeza também é reflexo do amor enorme que você sente pelo seu filho. Que ela faz parte, e que passa.
Ontem bateu de novo em mim aquela melancolia, que se traduz em um choro fácil, uma sensação de ser incapaz de dar conta do recado, um medo do mundo. Essa sensação é conhecida como baby blues, ou melancolia pós parto, e acomete 80% das mães, devido a uma redução drástica de diversos hormônios ativos durante a gravidez. Eu, que acredito que a natureza nunca dá ponto sem nó, fiquei tentando entender o porquê de termos de passar por isso num momento de tamanha felicidade. Eis a minha teoria:
Certa vez li que após o parto é preciso que a mãe sinta empatia pelo bebê que acaba de nascer, ou seja, que compreenda a situação que ele está passando de tal forma que possa responder conforme suas necessidades. E avaliando o que eu sentia, observei que estava muito próximo daquilo que a Chicorinha poderia estar vivenciando também. Lembro perfeitamente de ter chegado em casa, da maternidade, ela me parecer um lugar totalmente desconhecido, como se eu não morasse aqui há tempos. Isso se parece muito com o que aconteceu com a pequena, porque ela foi tirada daquele ambiente uterino que conhecia tão bem, e trazida para um lugar estranho. Da mesma maneira, o fato de eu ter sido 'tirada dela' e ela ter sido 'tirada de mim' também é um choque, um trauma a ser superado. Até então a mamãezinha dela era um coração pulsante e um útero protetor. Para mim, a minha filhinha era aquela sensação gostosa se movendo na minha barriga. Agora a gente está se conhecendo de uma forma completamente nova. Por isso essa sensação de estar perdida que vai e vem, para mim e para ela.
Ontem, no entanto, tive um insight. Se eu tava com tamanha vontade de chorar, então eu ia chorar de verdade. E não mais conter. Faria como a Chicorinha, que se esgoela até conseguir se acalmar. Fechei a sacada e lá abri o berreiro. Nada de choro baixo pra não incomodar ninguém, eu queria chorar alto e escandalosamente o tempo que quisesse e foi o que fiz. Chorei até pôr tudo pra fora. E melhorou. Melhorou 100%. Se anteontem eu sentia uma certa euforia, hoje eu me sinto em paz, sinto ser eu mesma de novo.
Por isso se alguma leitora estiver passando por algo assim eis a minha sugestão: compreenda o motivo disso, antes de tudo, e depois vá pro seu canto e chore, chore alto, chore muito, chore até passar, como faz o seu bebê. Não deixe nenhuma minhoca na cabeça, jogue tudo pra fora.
E depois comece a botar a casa em ordem. Se está te incomodando amamentar de madrugada com um olho aberto e outro quase fechando, vá pra sala, carregue o bebê contigo pra poltrona mais confortável, pegue o controle remoto e aproveite a programação da madrugada (estes dias tava passando Trocando as Bolas na Universal, um clássico da Sessão da Tarde). Facilite sua vida. Acredite, aquela dor ardida nos mamilos melhora quando a gente está de bom humor, e depois nem vai doer mais. Adeque a nova rotina aos seus antigos hábitos que podem ser adaptados ou mantidos. Inclua as pequenas coisas que te dão prazer e que ainda cabem em sua nova vida. Coma um doce. Retome seu mundo de volta. E saiba que mesmo essa tristeza também é reflexo do amor enorme que você sente pelo seu filho. Que ela faz parte, e que passa.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
E tudo é festa na casa da Chicorinha
Não sei se foi a boa noite de sono que tivemos mas hoje o dia amanheceu completamente ensolarado. Minha casa voltou a ser o meu lugar, sinto-me feliz, feliz, feliz, confiante, segura e parece que aquela melancolia e sensação de estar meio perdida foram embora, e espero que não voltem mais. Bye, bye, baby blues...
Realmente, uma rotina flexível é a melhor coisa que se pode fazer por um bebê. Depois de muito chororô descobrimos o segredo da Chicorinha: trocar fralda, mamar de 3 em 3 horas, esvaziar um peito, arrotar, completar com o outro, arrotar, dormir outras 3 horas. Assim ela fica o dia todo tranqüila, feliz e satisfeita, só chora um pouco nas trocas de fralda e de vez em quando no carrinho, mas pára rápido sem precisarmos acudi-la. Esta noite dormimos maravilhosamente bem por conta desse ritual.
Nunca pensei que pudesse ficar alegre ao ver uma fralda cheia de cocô mas por ser sinal de que ela está sendo bem alimentada e com tudo funcionando direitinho até isso temos festejado. Papai, que jurou nunca trocar uma fralda, já entrou na dança também. Ele passa meio mal mas até que tira de letra.
O carrinho berço (Galzerano Joaninha) foi a melhor aquisição de todas. É super confortável e ela dorme nele dia e noite, e o carregamos para o cômodo da casa onde estamos com muita facilidade. Pena que logo ficará pequeno e assim teremos que usar o berço mesmo.
Eu sempre achei que iria colocá-la pra dormir de barriga pra cima, como preconizam as atuais campanhas de saúde, no entanto no hospital as enfermeiras nos disseram que não seguem esta prática porque se houver algum retorno de líquido ele pode ir para o aparelho respiratório, então elas deixam os bebês sempre de lado, por isso também estamos fazendo desse jeito aqui em casa.
Algumas coisas que ainda preciso aprender melhor são dar banho (por enquanto quem tem feito isso é a vó Felícia) e pegar mais habilidade na troca das fraldas e roupinhas. Como é difícil colocar as mãozinhas dela numa manga estreita protegendo seus dedinhos minúsculos!
Agora ela está lá na sala com os avós, dormindo no carrinho feito um anjo. Vou ver se hoje toco pra ela mais tarde um pouquinho daquele cd que gravamos... E assim, devagar, seguindo seu curso natural, as coisas começam a se encaixar, delineando os novos e alegres dias dessa família recém-nascida...
Realmente, uma rotina flexível é a melhor coisa que se pode fazer por um bebê. Depois de muito chororô descobrimos o segredo da Chicorinha: trocar fralda, mamar de 3 em 3 horas, esvaziar um peito, arrotar, completar com o outro, arrotar, dormir outras 3 horas. Assim ela fica o dia todo tranqüila, feliz e satisfeita, só chora um pouco nas trocas de fralda e de vez em quando no carrinho, mas pára rápido sem precisarmos acudi-la. Esta noite dormimos maravilhosamente bem por conta desse ritual.
Nunca pensei que pudesse ficar alegre ao ver uma fralda cheia de cocô mas por ser sinal de que ela está sendo bem alimentada e com tudo funcionando direitinho até isso temos festejado. Papai, que jurou nunca trocar uma fralda, já entrou na dança também. Ele passa meio mal mas até que tira de letra.
O carrinho berço (Galzerano Joaninha) foi a melhor aquisição de todas. É super confortável e ela dorme nele dia e noite, e o carregamos para o cômodo da casa onde estamos com muita facilidade. Pena que logo ficará pequeno e assim teremos que usar o berço mesmo.
Eu sempre achei que iria colocá-la pra dormir de barriga pra cima, como preconizam as atuais campanhas de saúde, no entanto no hospital as enfermeiras nos disseram que não seguem esta prática porque se houver algum retorno de líquido ele pode ir para o aparelho respiratório, então elas deixam os bebês sempre de lado, por isso também estamos fazendo desse jeito aqui em casa.
Algumas coisas que ainda preciso aprender melhor são dar banho (por enquanto quem tem feito isso é a vó Felícia) e pegar mais habilidade na troca das fraldas e roupinhas. Como é difícil colocar as mãozinhas dela numa manga estreita protegendo seus dedinhos minúsculos!
Agora ela está lá na sala com os avós, dormindo no carrinho feito um anjo. Vou ver se hoje toco pra ela mais tarde um pouquinho daquele cd que gravamos... E assim, devagar, seguindo seu curso natural, as coisas começam a se encaixar, delineando os novos e alegres dias dessa família recém-nascida...
domingo, 19 de junho de 2011
Primeiras impressões sobre o ofício materno
Ser mãe de primeira viagem é como cair de paraquedas num primeiro emprego sem qualquer experiência, tendo que aprender tudo na prática e imediatamente. Além disso, é um trabalho, de primeiro momento, muito 'braçal', físico, exigente demais para um corpo que acabou de passar por um parto normal ou cesariano que invariavelmente traz cansaço e dores.
A rotina muda completamente. Minha casa parece um território estranho, o relógio biológico bagunçado como se sofrendo efeitos de um fuso horário radical. Os hormônios ficam malucos e a gente passa de um estado de sublime satisfação para outro melancólico sem saber como nem por quê.
Definitivamente não é fácil. No momento meus mamilos estão feridos, a cicatriz da cirurgia e o útero também doem, de madrugada tento manter os olhos abertos enquanto amamento a Chicorinha, de dia me preocupo em aprender o que puder para cuidar bem dela e ainda tenho que me policiar pra não sair chorando sem motivo concreto. Ao mesmo tempo sinto tanta paz ao amamentá-la, fico orgulhosa quando ela me olha demoradamente, consigo encontrar um espaço para fazer minhas coisas, como escrever aqui no blog, e encaro com bom humor essa rotina diferente e trabalhosa.
Uma coisa que se torna imperativa quase que de imediato é a necessidade de se crer em algo maior que nós mesmas capaz de nos amparar e proteger nossa cria quando isso não depender da gente. Eu que não sou religiosa tenho me agarrado e pedido a um poder superior que proteja a minha filha de qualquer mal e que me dê forças para fazer sempre o melhor por ela.
Sei que esse período de adaptação passará rapidamente, em questão de meses, e que vou morrer de saudades dessa época. Tento me lembrar, acima de tudo, de me divertir em todos os momentos, aproveitando esta viagem de montanha russa (que eu achei que seria o parto, ledo engano), porque olhando novamente para esta fase quando já não estiver sob efeito dessa ansiedade toda, irei reconhecer nela a mais plena felicidade e os melhores dias da minha vida, pois tudo o que está acontecendo agora, eu sei, são as manifestações de um Amor imenso a crescer e crescer dentro de mim...
A rotina muda completamente. Minha casa parece um território estranho, o relógio biológico bagunçado como se sofrendo efeitos de um fuso horário radical. Os hormônios ficam malucos e a gente passa de um estado de sublime satisfação para outro melancólico sem saber como nem por quê.
Definitivamente não é fácil. No momento meus mamilos estão feridos, a cicatriz da cirurgia e o útero também doem, de madrugada tento manter os olhos abertos enquanto amamento a Chicorinha, de dia me preocupo em aprender o que puder para cuidar bem dela e ainda tenho que me policiar pra não sair chorando sem motivo concreto. Ao mesmo tempo sinto tanta paz ao amamentá-la, fico orgulhosa quando ela me olha demoradamente, consigo encontrar um espaço para fazer minhas coisas, como escrever aqui no blog, e encaro com bom humor essa rotina diferente e trabalhosa.
Uma coisa que se torna imperativa quase que de imediato é a necessidade de se crer em algo maior que nós mesmas capaz de nos amparar e proteger nossa cria quando isso não depender da gente. Eu que não sou religiosa tenho me agarrado e pedido a um poder superior que proteja a minha filha de qualquer mal e que me dê forças para fazer sempre o melhor por ela.
Sei que esse período de adaptação passará rapidamente, em questão de meses, e que vou morrer de saudades dessa época. Tento me lembrar, acima de tudo, de me divertir em todos os momentos, aproveitando esta viagem de montanha russa (que eu achei que seria o parto, ledo engano), porque olhando novamente para esta fase quando já não estiver sob efeito dessa ansiedade toda, irei reconhecer nela a mais plena felicidade e os melhores dias da minha vida, pois tudo o que está acontecendo agora, eu sei, são as manifestações de um Amor imenso a crescer e crescer dentro de mim...
sábado, 18 de junho de 2011
A manhã rompeu
Morning has broken, like the first morning
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the word
Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
Like the first dewfall, on the first grass
Praise for the sweetness of the wet garden
Sprung in completeness where his feet pass
Mine is the sunlight, mine is the morning
Born of the one light, Eden saw play
Praise with elation, praise every morning
God's recreation of the new day
Ah, eu tenho tanta coisa para escrever mas não sei se sou capaz, o que quero dizer agora é que estamos vivendo os dias mais incríveis de nossas vidas e que a Catarina é um raio de sol nesta casa, que nos encanta a todo momento.
Fico lembrando das últimas noites sem dormir, contando os dias para vê-la, sentindo-a dentro de mim, sentada na poltrona da sala, e agora nesta mesma poltrona eu a amamento e isso é simplesmente um sonho realizado.
Nos primeiros dias ela estava tão assustada com esse mundo de fora e eu também por vê-la tão pequenina e dependente, mas agora nós duas já estamos adaptadas e a calma e a confiança são os sentimentos mais fortes.
Sou muito grata por estar conseguindo amamentá-la, é impressionante como ela fica segura e relaxada nestes momentos, como se estivesse novamente na tranqüilidade do seu mundinho uterino. Observá-la assim foi o que me fez perceber que sou capaz de acalmá-la e dar tudo o que ela precisa para esta primeira fase de sua vida tão nova.
O Vanderson tem sido um junto comigo, nunca me senti tão conectada a ele e é impressionante o seu instinto paternal de se dedicar integralmente a ela com um amor incondicional. Estamos vivendo momentos lindos e inesquecíveis de aprendizado e emoção.
Obrigada a todos os que nos acompanharam, a todos que têm nos ajudado especialmente a vovó Felícia que tem sido maravilhosa, a todos os que celebram conosco a chegada desse milagrinho chamado Catarina!
(Obs: a música no início do post me fazia chorar de emoção durante a gravidez - e agora mais ainda - porque ela traduz toda a beleza do que estamos vivendo. Ela pode ser ouvida, com tradução, aqui).
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the word
Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
Like the first dewfall, on the first grass
Praise for the sweetness of the wet garden
Sprung in completeness where his feet pass
Mine is the sunlight, mine is the morning
Born of the one light, Eden saw play
Praise with elation, praise every morning
God's recreation of the new day
Ah, eu tenho tanta coisa para escrever mas não sei se sou capaz, o que quero dizer agora é que estamos vivendo os dias mais incríveis de nossas vidas e que a Catarina é um raio de sol nesta casa, que nos encanta a todo momento.
Fico lembrando das últimas noites sem dormir, contando os dias para vê-la, sentindo-a dentro de mim, sentada na poltrona da sala, e agora nesta mesma poltrona eu a amamento e isso é simplesmente um sonho realizado.
Nos primeiros dias ela estava tão assustada com esse mundo de fora e eu também por vê-la tão pequenina e dependente, mas agora nós duas já estamos adaptadas e a calma e a confiança são os sentimentos mais fortes.
Sou muito grata por estar conseguindo amamentá-la, é impressionante como ela fica segura e relaxada nestes momentos, como se estivesse novamente na tranqüilidade do seu mundinho uterino. Observá-la assim foi o que me fez perceber que sou capaz de acalmá-la e dar tudo o que ela precisa para esta primeira fase de sua vida tão nova.
O Vanderson tem sido um junto comigo, nunca me senti tão conectada a ele e é impressionante o seu instinto paternal de se dedicar integralmente a ela com um amor incondicional. Estamos vivendo momentos lindos e inesquecíveis de aprendizado e emoção.
Obrigada a todos os que nos acompanharam, a todos que têm nos ajudado especialmente a vovó Felícia que tem sido maravilhosa, a todos os que celebram conosco a chegada desse milagrinho chamado Catarina!
(Obs: a música no início do post me fazia chorar de emoção durante a gravidez - e agora mais ainda - porque ela traduz toda a beleza do que estamos vivendo. Ela pode ser ouvida, com tradução, aqui).
terça-feira, 14 de junho de 2011
Aiai, é Hoje!!
Acabo de voltar da médica e marcamos a cesárea para hoje, quando ela terminar o expediente no consultório. Foi uma decisão difícil, eu realmente estava preparada para o parto normal mas não para esperar mais do que quarenta semanas (completadas hoje, com uma margem de três a quatro dias). Após o exame constatamos que da semana anterior para esta não houve muita mudança no meu estado - apenas um dedo de dilatação causada muito provavelmente pelo encaixamento e não por contrações, que nem cheguei a sentir - e não havia nenhum sinal de que a Chicorinha poderia nascer por estes dias. Diante da hipótese de ter de aguardar mais uma semana, chegando a 41 ou mais, pesando os prós e os contras decidi pela cesárea, com total apoio da minha médica.
A nossa Dra. é uma profissional de princípios muito sólidos e deixou claro desde o princípio que iríamos esperar o tempo certo e dar preferência ao parto normal, tanto que o Enzo, nosso afilhado, nasceu com ela dessa maneira, com 39 semanas. Hoje tivemos uma conversa franca porque eu estava muito em dúvida sobre o que fazer e ela me disse que, às 40 semanas, optar por cesárea ou parto normal é justamente isso, uma opção. Totalmente diferente de chegar no primeiro dia do pré-natal querendo ditar a quantas semanas se pretende fazer a cesárea, como ela disse acontecer com várias gestantes que a procuram.
Contei a ela sobre a minha preocupação de os hormônios envolvidos no trabalho de parto não agirem devido à cesárea (a oxitocina, que causa as contrações uterinas também é o hormônio que faz com que a mãe reforce seus laços afetivos com o bebê), mas ela me disse que não preciso me preocupar com isso porque eu já tenho laços formados durante a gestação e após a cesárea, quando eu vir a minha filha, a oxitocina virá de qualquer maneira. Mais uma vez ela afirmou que essa situação é diferente daquela em que a mãe já não demonstra possuir laços suficientes com o bebê ao exigir ajustá-lo à sua agenda, sem se preocupar sequer com seu bem estar ao nascer no tempo certo.
Tudo isso me deixou segura para optar pela cesárea sem culpa. Acho que é difícil para quem não está vivenciando tudo isso entender como essa escolha acaba sendo pesada, principalmente quando a gente participa de grupos de discussão e percebe o quanto se condena este gesto 'anti-natural' de não se esperar pelo nascimento, como se não houvesse outros fatores envolvidos, sendo um deles o nosso limiar para aceitar riscos desnecessários - já que após as quarenta semanas é preciso um monitoramento quase diário pois a situação já vai ficando cada vez mais delicada...
Bom, gente, meu corpo está tremendo todo de ansiedade e vou tentar agora me acalmar. Peço que torçam por nós e em breve voltamos com as novidades...
(Vem, Catarina!!)
A nossa Dra. é uma profissional de princípios muito sólidos e deixou claro desde o princípio que iríamos esperar o tempo certo e dar preferência ao parto normal, tanto que o Enzo, nosso afilhado, nasceu com ela dessa maneira, com 39 semanas. Hoje tivemos uma conversa franca porque eu estava muito em dúvida sobre o que fazer e ela me disse que, às 40 semanas, optar por cesárea ou parto normal é justamente isso, uma opção. Totalmente diferente de chegar no primeiro dia do pré-natal querendo ditar a quantas semanas se pretende fazer a cesárea, como ela disse acontecer com várias gestantes que a procuram.
Contei a ela sobre a minha preocupação de os hormônios envolvidos no trabalho de parto não agirem devido à cesárea (a oxitocina, que causa as contrações uterinas também é o hormônio que faz com que a mãe reforce seus laços afetivos com o bebê), mas ela me disse que não preciso me preocupar com isso porque eu já tenho laços formados durante a gestação e após a cesárea, quando eu vir a minha filha, a oxitocina virá de qualquer maneira. Mais uma vez ela afirmou que essa situação é diferente daquela em que a mãe já não demonstra possuir laços suficientes com o bebê ao exigir ajustá-lo à sua agenda, sem se preocupar sequer com seu bem estar ao nascer no tempo certo.
Tudo isso me deixou segura para optar pela cesárea sem culpa. Acho que é difícil para quem não está vivenciando tudo isso entender como essa escolha acaba sendo pesada, principalmente quando a gente participa de grupos de discussão e percebe o quanto se condena este gesto 'anti-natural' de não se esperar pelo nascimento, como se não houvesse outros fatores envolvidos, sendo um deles o nosso limiar para aceitar riscos desnecessários - já que após as quarenta semanas é preciso um monitoramento quase diário pois a situação já vai ficando cada vez mais delicada...
Bom, gente, meu corpo está tremendo todo de ansiedade e vou tentar agora me acalmar. Peço que torçam por nós e em breve voltamos com as novidades...
(Vem, Catarina!!)
sábado, 4 de junho de 2011
Playlist da Chicorinha
Gravei um cd pra tocar pra pequena com músicas que considero leves, calmas ou alegres (independentemente da letra - o Clash, por exemplo, costuma colocar temas seríssimos e pesados em melodias bem tranqüilas - de qualquer maneira, tá tudo em inglês mesmo...) .
Vamos ver se ela vai gostar da seleção da mamãe... Espero que vocês gostem também, pelo menos de algumas!
- Tema da série A Feiticeira
- Tema do Snoopy
- Son de La Loma (Buenavista Social Club)
- Quelqu'un m'a dit (Carla Bruni)
- Close to You (Carpenters)
- If you want to sing out, sing (Cat Stevens)
- Morning has Broken (Cat Stevens)
- Angeles - Elliott Smith
- Every Morning (Sugar Ray)
- Time of Your Life (Green Day)
- Moon River (Henry Mancini)
- La mer (Charles Trénet)
- Is This Love (Bob Marley)
- Three Little Birds (Bob Marley)
- Amor igual ao teu (Cidade Negra)
- Soldado da Paz (Cidade Negra)
- Um anjo do Céu (Maskavo)
- Asas (Maskavo)
- O Beijo e a Reza (Skank)
- You Are My Sunshine (Papa Winnie)
- I'm yours (Jason Mraz)
- Wash Away (Joe Purdy)
- Just Like Honey (Jesus and Mary Chain)
- Baby (Justin Bieber) obs: rs, acho fofa essa!
- Kokoku (Laurie Anderson)
- Classical Gas Guitar Solo (Mason Williams)
- The Bright Side Of Life (Monty Python)
- Chasing Pirates (Norah Jones)
- Malagueña Salerosa (Paco de Lucía)
- Stand By Me (Ben E. King)
- Dolcissima Maria (Renato Russo)
- Chicago (Sufjan Stevens)
- Mr. Tambourine Man (The Byrds)
- Here Comes Your Man (The Pixies)
- The Ghost in You (The Psychedelic Furs)
- The Boy With the Thorn in His Side (Smiths)
- My Girl (Temptations)
- Soir de Fete (Tema Amélie Poulain)
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Polêmica na mídia: amamentação em público
Tomei conhecimento dos fatos por meio do post da Sofia, do Buteco Feminino. Ela resume bem a questão toda, que envolve a realização de um Mamaço Nacional (evento em que as mães se reunirão para amamentar seus filhos em público para combater o preconceito) e as várias manifestações da mídia a respeito, incluindo programas como o CQC, matérias e artigos favoráveis e contrários em jornais como a Folha de SP e inúmeros blogs na internet.
Eu, pessoalmente, não pretendo amamentar em público (e se for realmente necessário pretendo fazer isso cobrindo o seio) porque detesto olhares indiscretos, críticos, curiosos ou cínicos sobre mim. No entanto, admiro estas mães e respeito seu direito de amamentarem publicamente seja com ou sem 'paninho' por cima, porque o problema não é com elas e sim com estes olhares que julgam, avaliam e se constrangem com algo que deveria ser visto com naturalidade.
Eu mesma me incluo nestas pessoas que ficam meio constrangidas ao ver alguém amamentando, mas sei que é só uma questão de se acostumar. A gente se acostuma a ver tanta coisa errada com naturalidade - por exemplo, o corpo feminino exposto de forma banal em qualquer banca de revista ou propaganda de cerveja - então por que não aprender a encarar com naturalidade também uma mulher amamentando um bebê, que nada tem de errado, nem de ofensivo...
Por isso sou a favor do Mamaço. Para educar os olhares, nem que isso seja uma conquista a longo prazo. Para que a sociedade (ao menos a nossa, já que outras culturas já demonstram essa evolução) aprenda a ver o corpo feminino não só sob o viés sexual mas também maternal e acima de tudo, humano.
Eu, pessoalmente, não pretendo amamentar em público (e se for realmente necessário pretendo fazer isso cobrindo o seio) porque detesto olhares indiscretos, críticos, curiosos ou cínicos sobre mim. No entanto, admiro estas mães e respeito seu direito de amamentarem publicamente seja com ou sem 'paninho' por cima, porque o problema não é com elas e sim com estes olhares que julgam, avaliam e se constrangem com algo que deveria ser visto com naturalidade.
Eu mesma me incluo nestas pessoas que ficam meio constrangidas ao ver alguém amamentando, mas sei que é só uma questão de se acostumar. A gente se acostuma a ver tanta coisa errada com naturalidade - por exemplo, o corpo feminino exposto de forma banal em qualquer banca de revista ou propaganda de cerveja - então por que não aprender a encarar com naturalidade também uma mulher amamentando um bebê, que nada tem de errado, nem de ofensivo...
Por isso sou a favor do Mamaço. Para educar os olhares, nem que isso seja uma conquista a longo prazo. Para que a sociedade (ao menos a nossa, já que outras culturas já demonstram essa evolução) aprenda a ver o corpo feminino não só sob o viés sexual mas também maternal e acima de tudo, humano.
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| Se essa imagem pode ser exposta em qualquer lugar, a qualquer hora no espaço público... |
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| Mas essa deveria ficar restrita a banheiros e salinhas reservadas... |
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| Se esta exposição é socialmente aceita |
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| Porém esta ofende a sociedade... |
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| E se essa propaganda é encarada com naturalidade |
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| E isso choca... É porque as nossas idéias estão de cabeça para baixo e ninguém percebeu. |
quinta-feira, 2 de junho de 2011
E os nossos agradecimentos...
Ao Padre Paulo Renato F. G. de Campos que nem nos conhece e mesmo assim teve a gentileza e o trabalho de adquirir na Ikea de Roma e nos enviar o festivo mosquiteiro de berço que tanto namorávamos para o quarto da Chicorinha... E à nossa prima Débora que não titubeou em lhe fazer este pedido em nosso nome.
Vejam como ficou lindo... O Sr. Chicório disse que a Chicorinha terá seu sono abençoado todas as noites tendo esse dossel repleto de carinho sobre ela:
À Juju pelas lindas malas de maternidade (devidamente montadas esta semana) e à Rô pelas fraldinhas e acessórios decorados que farão o encanto das enfermeiras, deixando a Chicorinha a bebê mais 'Chic' do pedaço...
Às doces meninas do Atelier Festejar, Luciana e Renata, que nos presentearam com caixinhas de lembranças para a maternidade, com o tema de joaninhas (adoramos)...
À vovó Felícia por compor grande parte do enxoval da Chicorinha, costurando, bordando e tricotando com todo amor lindas e delicadas peças...
À priminha Maria Eduarda que ao crescer deixou roupas novinhas de herança pra Chicorinha, à querida Marli que cuidou com tanto carinho delas e a vocês, nossos parentes, amigos, clientes, colegas de trabalho e até da internet que visitaram, ligaram, participaram, estiveram presentes e demonstraram seu carinho para conosco durante todo esse tempo...
Vejam como ficou lindo... O Sr. Chicório disse que a Chicorinha terá seu sono abençoado todas as noites tendo esse dossel repleto de carinho sobre ela:
À Juju pelas lindas malas de maternidade (devidamente montadas esta semana) e à Rô pelas fraldinhas e acessórios decorados que farão o encanto das enfermeiras, deixando a Chicorinha a bebê mais 'Chic' do pedaço...
Às doces meninas do Atelier Festejar, Luciana e Renata, que nos presentearam com caixinhas de lembranças para a maternidade, com o tema de joaninhas (adoramos)...
À vovó Felícia por compor grande parte do enxoval da Chicorinha, costurando, bordando e tricotando com todo amor lindas e delicadas peças...
À priminha Maria Eduarda que ao crescer deixou roupas novinhas de herança pra Chicorinha, à querida Marli que cuidou com tanto carinho delas e a vocês, nossos parentes, amigos, clientes, colegas de trabalho e até da internet que visitaram, ligaram, participaram, estiveram presentes e demonstraram seu carinho para conosco durante todo esse tempo...
MUITO OBRIGADA!!
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