Um dos principais objetivos deste blog, além de narrar o desenvolvimento da nossa Chicorinha, é ajudar as mamães de primeira viagem, e eu tento fazer isso expondo as minhas experiências de uma forma bem aberta. Por esta razão quero falar um pouco mais sobre o baby blues, imaginando que se uma nova mãe chegar aqui e puder compreender melhor o momento pelo qual está passando, vai ter valido muito a pena.
Ontem bateu de novo em mim aquela melancolia, que se traduz em um choro fácil, uma sensação de ser incapaz de dar conta do recado, um medo do mundo. Essa sensação é conhecida como baby blues, ou melancolia pós parto, e acomete 80% das mães, devido a uma redução drástica de diversos hormônios ativos durante a gravidez. Eu, que acredito que a natureza nunca dá ponto sem nó, fiquei tentando entender o porquê de termos de passar por isso num momento de tamanha felicidade. Eis a minha teoria:
Certa vez li que após o parto é preciso que a mãe sinta empatia pelo bebê que acaba de nascer, ou seja, que compreenda a situação que ele está passando de tal forma que possa responder conforme suas necessidades. E avaliando o que eu sentia, observei que estava muito próximo daquilo que a Chicorinha poderia estar vivenciando também. Lembro perfeitamente de ter chegado em casa, da maternidade, ela me parecer um lugar totalmente desconhecido, como se eu não morasse aqui há tempos. Isso se parece muito com o que aconteceu com a pequena, porque ela foi tirada daquele ambiente uterino que conhecia tão bem, e trazida para um lugar estranho. Da mesma maneira, o fato de eu ter sido 'tirada dela' e ela ter sido 'tirada de mim' também é um choque, um trauma a ser superado. Até então a mamãezinha dela era um coração pulsante e um útero protetor. Para mim, a minha filhinha era aquela sensação gostosa se movendo na minha barriga. Agora a gente está se conhecendo de uma forma completamente nova. Por isso essa sensação de estar perdida que vai e vem, para mim e para ela.
Ontem, no entanto, tive um insight. Se eu tava com tamanha vontade de chorar, então eu ia chorar de verdade. E não mais conter. Faria como a Chicorinha, que se esgoela até conseguir se acalmar. Fechei a sacada e lá abri o berreiro. Nada de choro baixo pra não incomodar ninguém, eu queria chorar alto e escandalosamente o tempo que quisesse e foi o que fiz. Chorei até pôr tudo pra fora. E melhorou. Melhorou 100%. Se anteontem eu sentia uma certa euforia, hoje eu me sinto em paz, sinto ser eu mesma de novo.
Por isso se alguma leitora estiver passando por algo assim eis a minha sugestão: compreenda o motivo disso, antes de tudo, e depois vá pro seu canto e chore, chore alto, chore muito, chore até passar, como faz o seu bebê. Não deixe nenhuma minhoca na cabeça, jogue tudo pra fora.
E depois comece a botar a casa em ordem. Se está te incomodando amamentar de madrugada com um olho aberto e outro quase fechando, vá pra sala, carregue o bebê contigo pra poltrona mais confortável, pegue o controle remoto e aproveite a programação da madrugada (estes dias tava passando Trocando as Bolas na Universal, um clássico da Sessão da Tarde). Facilite sua vida. Acredite, aquela dor ardida nos mamilos melhora quando a gente está de bom humor, e depois nem vai doer mais. Adeque a nova rotina aos seus antigos hábitos que podem ser adaptados ou mantidos. Inclua as pequenas coisas que te dão prazer e que ainda cabem em sua nova vida. Coma um doce. Retome seu mundo de volta. E saiba que mesmo essa tristeza também é reflexo do amor enorme que você sente pelo seu filho. Que ela faz parte, e que passa.
Que lindo, Lilian. Adoro quando vc escreve essas coisas....assim, pra cima!
ResponderExcluirEstou lendo isso só agora, 15 de agosto, mas acho que foi na data certa para eu ler mesmo.
Não sei porque o ser humano tem esse costume de querer estar no controle sempre, de achar que tem que dominar todas as emoções do mundo, ainda que seja a primeira vez que lida com ela.
Se a ideia do blog é a ajudar as mamães e futuras mamães com essas experiências... Você me ajudou hoje!