quarta-feira, 29 de junho de 2011

Vício em controlar

Oi, meu nome é Chicória e sou viciada em planejamento. Não sei desde quando isso começou, só sei que tenho mania de escrever manuais sobre absolutamente tudo, organizando procedimentos sejam eles de trabalho, viagens, projetos de vida e agora, cuidados com a Chicorinha.

Só pra ilustrar, no tema Viagem: quando fomos visitar a Serra Gaúcha eu escolhi uma época muito específica, para pegar as cores amareladas e avermelhadas mais intensas do outono nas folhagens dos plátanos e bordos. Contudo, ao chegar em Gramado, passei a tarde toda de mau humor porque as árvores não estavam suficientemente coloridas como eu havia planejado que estariam... É mole?

Minha cabeça fica o tempo todo trabalhando para criar estratégias de ação, como se eu precisasse de uma fórmula infalível equacionando eficientemente todas as necessidades de nossa filha e as nossas. Acho que dá pra perceber essa minha tendência a sistematizar ações e até mesmo pensamentos pelos últimos posts deste blog, que nada mais são do que as minhas tentativas de desenrolar o novelo mental que se formou com as minhas novas atividades de mãe.

Sei que faço isso pra me sentir segura. Parece que tendo tudo pensado e por escrito, nada vai me escapar, nada vai sair do meu controle. Mas a verdade é que isso não está me fazendo bem. Tenho ficado angustiada toda vez que imagino ter encontrado a forma correta de agir - dar de mamar de tanto em tanto tempo e se caso ela chorar fazer isso ou aquilo - e no momento seguinte a pequena me surpreende respondendo de forma totalmente diversa do que eu esperava.

Por exemplo, ontem li um texto sobre amamentação por livre demanda que mexeu um pouco com as minhas certezas. Imaginei que se pensasse um pouco mais conseguiria chegar num meio-termo, mantendo a rotina alimentar de três em três horas mas permitindo que a pequena sugasse nos momentos de estresse de modo que isso a fizesse adormecer. Tentei a experiência mas tudo o que consegui foi um bebê sem sono algum, como se sugando, mais ela quisesse sugar, ao invés de dormir. Além disso, como explicar que o pai consegue acalmá-la, apesar de seus apelos, com colo, musiquinhas e embalo, e que às vezes ela simplesmente pára e se acalma, e fica ali quietinha e absorta, apreciando o ambiente ao seu redor?

Aliás, o Sr. Chicório é o inverso de mim. Ele faz tudo de forma tão intuitiva e com isso se preocupa menos, se estressa menos e acaba tendo ações mais eficientes do que as minhas. Por esta razão decidi que vou me esforçar para deixar de lado essa minha necessidade de ter cada detalhe milimetricamente controlado e relaxar, agir naturalmente, instintivamente, conhecer a personalidade e necessidades da minha filha um dia de cada vez, sem seguir um plano ou estratégia pré-definida. Claro que quero manter essa rotininha básica que nos ajuda a organizar o dia, mas sem toda essa neura de planejar cada passo de sua vida desde já.

Nos primeiros dias até a casa parecia testar meus limites de organização pois no espaço de uma semana e meia a máquina de lavar quebrou, a privada entupiu, o mouse parou de funcionar e o micro ficou lento, caiu a haste dos meus óculos e eu cada vez mais inconformada com esta revolta repentina dos objetos domésticos justo num momento tão delicado. Mas, pensando bem agora, talvez o mundo estivesse tentando me dizer: 'let it be', relaxa, solta as rédeas e deixa rolar...

A pequena já está com quinze dias, seu umbiguinho já caiu e eu não posso mais perder tempo montando sistemáticas. Eu preciso viver intensamente cada momento fugidio porque se a metade do mês já passou assim, os seis meses da minha licença irão voar. Eu preciso relaxar e simplesmente viver, e parar de agir como se estivesse escrevendo um livro sobre como cuidar de bebês...

Por isso, se eu conseguir domar esse meu vício (e eu vou conseguir, acreditem) esse blog vai ter menos destes textos de planos e fórmulas (dos quais eu me arrependo de ter escrito no dia seguinte, porque como disse eles parecem funcionar apenas uma vez) e mais fotos e registros dos acontecimentos simples, encantadores e imprevisíveis da vida da nossa Chicorinha...

6 comentários:

  1. É isso aí Lilian. Leve a vida com mais leveza, sem perder a razão é claro. Vivendo e aprendendo. Um dia de cada vez. Não podemos complicar mesmo!
    Você vai conseguir... Eu estou aprendendo ainda a arte de ser mãe...
    Um grande beijo prá vocês.

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  2. Amiga, lembra q vc me falou q eu não devia encanar com as coisas, relaxar, viver, deixar a vida me levar e q assim as coisas aconteceriam no momento certo? Então! Aproveite esse seu momento e esqueça um pouco livros, manuais e estratégias, rsrs, sei q não é fácil nos desligarmos um pouco do nosso jeito de ser, mas, temos q "melhorar" e tentar não é? E só de se reconhecer os "defeitinhos" já é meio caminho andado, rs. Lembre-se do qto vc queria vivenciar esses momentos e do qto lutou, em todos os sentidos, para que ele se concretizasse...viva intensamente o seu sonho q se tornou real, não deixe isso escapar por pequenas coisas do dia-a-dia ou algo q não saiu como esperava e td vai se encaixar, vc vai conseguir, assim como conseguiu ter sua Chicorinha,vc vai ver...bjos

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  3. Amiga estou feliz, você entendeu o que eu estava tentando lhe dizer. Curta o momento e verá que a pequena Catarina lhe mostrará como fazer.
    Como disse a você passa muito rápido e tem que ser vivido intensamente para ter belas recordações, mesmo passando por alguns perrengues.rsrsrsr
    Bjs

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  4. Amigas, vocês são demais. Obrigada pela força, pelas palavras, pela leitura e por me ouvirem. Isso me ajuda demais, vocês nem imaginam. Beijos meus e da Catarina. :o)

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  5. Querida Chicória, vi seu comentário lá no meu blog e vim aqui visitar vc e sua pequena Chicorinha Catarina... mãe é mesmo uma coisa culpa, ne? mas acho que o segredo é mesmo menos cérebro, menos mundo cultural pressionando a gente por dentro e em volta... mais coração, mais mundo ancestral, mundo de bicho mamífero se é que vc me entende... tudo passa, e passa rápido. Sua filhinha nao vai estar nessa fase sempre, e nem vc vai estar sempre nesta inundação de ocitocina, seus hormonios falando mais alto que seu cerébro (e é isso que te deixa intranquila, meu palpite). Vc vai ver, com 6 meses será outra história, pra vc e pra ela. Entao viva o AGORA, e o agora é: grudadinho no peito, só no ritmo do bebê! que não tem ritmo ainda, pq ela é muito petiquinha! deixa fluir que tudo fica maravilhoso e inclusive entra numa rotininha naturalmente, se vc relaxar e observar o que vem da bebe! boa sorte e bem-vinda a esta vida materna, trabalhosa porém infinitamente maravilhosa!

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  6. Ai, Lilian, tô rindo muito. Não de vc, mas com vc. Talvez de nós... eu sou e-xa-ta-men-te como vc.
    Meus pais são sistematas filogenéticos, já viu, então, né? Sistematizar é a minha loucura, adoro tabela do exel, por exemplo...
    E como mais uma vez aconteceu, estamos sintonizadas quanto os temas dos posts. Eu estava pensando ontem à noite em escrever um post sobre como fico alterada, enlouquecida quando os outros resolvem sugerir coisas em relação à forma como cuido da minha Nina... justamente porque eu tenho um sistema na cabeça e me confundo toda quando o altero...
    Vcs estão se saindo muito bem, isso, sim, para pais de primeira viagem e sua pequena está linda, linda!!!!
    beijos

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