Até uns dez, quinze dias de vida mais ou menos (não sei precisar porque nos últimos tempos minha memória não passa de uma vaga lembrança) a Chicorinha mamava e dormia tranqüila no seu carrinho até a próxima mamada. Até que, não mais que de repente, passou a recusá-lo e exigir nosso colo o tempo todo. Podia estar no mais profundo dos sonos mas era só colocá-la no carrinho que minutos depois já começava a chorar, desesperada.
Assim, passamos as últimas semanas revezando nossos colos 24 horas por dia - e posso dizer que, mesmo para dois, a tarefa é pesada. De madrugada a gente revezava a poltrona, enquanto um dormia o outro ficava acordado a segurando - e de dia mal havia tempo para preparar o almoço e o jantar, tomar banho, o que dirá escrever no blog. Nossa prioridade, além de ficar com a Chicorinha, era tentar dormir um pouco mais do que três horas por dia.
Porém, há mais ou menos uma semana - é difícil precisar datas porque tudo está meio contínuo, perco a noção dos dias - ela parece que criou mais confiança de que alguém sempre estará ali e, embora ainda reclame nosso colo, já conseguimos deixá-la algumas vezes durante o dia dormindo no carrinho e a noite, no berço. Claro que eu fico ali, na cama ao lado, pronta para acudi-la quando o choro não cessa depois de um tempinho.
O engraçado é que lendo o E-family ou alguns blogs, ou conversando com conhecidos, chega-se à conclusão de que os bebês são todos iguaizinhos, pois passam por estas mesmas fases, deixando os pais exaustos, esquecidos e meio doidos (aqui em casa a gente dizia que ia fazer alguma coisa e logo depois esquecia o que era). Enfim, são tudo talquinho do mesmo frasco e ninguém sabe direito o que fazer - podem crer, eu já pesquisei.
O que percebo é que ela segue um ciclo, às vezes depois da mamada ela dorme um sono profundo e às vezes quer ficar acordada brincando - aí a gente conversa, anda com ela pela casa, coloca pra ver o móbile ou na cadeirinha de balanço, que ela adora (ainda bem que compramos!) - e esse ciclo não tem nada a ver com o dia ou com a noite. Às vezes coincide do sono comprido ser de noite, mas às vezes, não. Pelo que li, parece que o cérebro dos bebês só vai ter seu relógio biológico pronto lá pelo terceiro ou quarto mês, passando então a preferir as atividades de dia e o sono de noite. Por enquanto, só nos resta administrar e mostrar a diferença entre um em outro, mas sem grandes expectativas.
O tempo por aqui tem passado tão rápido, as semanas têm voado. A Chicorinha está tão linda e esperta, e nos encanta todos os dias com o seu jeitinho, seus chorinhos manhosos, seus sorrisos, as carinhas que faz enquanto dorme e os primeiros "ahs" e "uhs". Também pegou sapinho - que já está quase sarando - e está com a voz meio rouca - não sei se de chorar ou por causa desse ar frio de inverno.
O que sei é que devagarzinho, dia após dia, vamos nos tornando mais pais e ela, mais filha. A nossa família vai se consolidando, se entendendo melhor, e a tendência é que continue assim, Chicorinha confiando em nós e nós confiando em nós mesmos, na nossa capacidade de cuidarmos bem da nossa maior riqueza.
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