segunda-feira, 14 de março de 2011

Padecendo no Petar

Uma das viagens mais marcantes que eu e o Sr. Chicório fizemos foi para o Petar, um Parque Estadual entre São Paulo e o Paraná que abriga centenas de cavernas, no qual passamos o feriado de Carnaval explorando algumas delas e vivendo experiências únicas.

Estar grávida me lembra um pouco aqueles dias no Petar. A gente padece, padece muito: caminha em território desconhecido, enfrenta as intempéries da natureza, sente dores no corpo inteiro e chega quebrado e exausto ao final do dia. 
Mas as emoções que o Petar nos reserva valem qualquer esforço. Caminhar na floresta, no meio do rio, fazer trilha na chuva e adentrar numa caverna escura, úmida, silenciosa e acima de tudo, bela, mexe com as emoções, faz a gente se sentir mais conectado com a vida, com a Natureza que nos circunda, e não dá pra explicar com palavras essas sensações. 

Vivenciar a gravidez também é uma aventura que traz tantos desconfortos quanto emoções fortes. Gerar uma pessoa dentro de você, vê-la ali no ultrassom evoluindo a cada sessão, senti-la mexendo, explorando o universo que é a sua barriga, imaginar as novidades que te aguardam  e encarar uma reviravolta na sua vida para sempre é uma aventura mais emocionante que safári na África ou escalada no Everest! 

Quando mais jovem eu achava que a natureza tinha sido muito injusta conosco, mulheres, por termos que passar pelas dores do parto e por todos os revezes de uma gestação. Mas li um texto certa vez que me fez ver as coisas sob um ângulo completamente diferente. Ele perguntava ao leitor se o atleta exausto e dolorido, com os pés em brasa ao final de uma maratona, prestes a atravessar a linha de chegada, ou a bailarina após inúmeras quedas até conseguir o passo perfeito ou a mãe sentindo as dores do parto, se todos eles estariam infelizes com todo aquele sofrimento, ou se a dor que estavam sentindo era insignificante diante da vitória que estavam prestes a conquistar. Foi então que percebi que toda grande conquista requer uma dose equivalente de esforço e dedicação, e que às vezes a dor está mais próxima da força que da fraqueza. E então senti um orgulho muito grande por ser mulher e por ser forte!

O que importa, nessas nossas viagens, seja no Petar ou escalando o Everest ou sendo mãe de primeira viagem é não deixar que as dificuldades, o cansaço e a dor nos impeçam de manter nosso olhar atento e sensível à beleza exuberante do caminho...

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