terça-feira, 26 de abril de 2011

Herança de família: uma caixa de músicas

A música foi uma presença constante quando eu e minhas irmãs éramos crianças. Meu pai sempre que possível estava com o rádio ligado, fosse em casa ou no carro, e escutava de tudo um pouco, de rock a samba, de sertanejo a mpb, e a música ali nunca era apenas um sonzinho de fundo a passar quase despercebido, e sim uma entidade a embalar nosso dia-a-dia em alto e bom tom. Às vezes meu pai nos convidava a prestar atenção nas letras de suas canções preferidas e gostava de explicá-las para nós. Isso quando não voltava a mesma faixa várias vezes, e embora eu detestasse isso confesso que hoje também conservo essa mania... Não cheguei a herdar o mesmo gosto musical dele, mas percebo que essa diversificação fez com que eu aprendesse a valorizar estilos diferentes sem alimentar preconceitos.

Como mãe também quero ajudar a transmitir um gosto musical variado pra Chicorinha. Música é prazer, é arte, e acho até que ajuda mesmo na formação do caráter, pois apreciar diferentes manifestações musicais é uma forma de respeito à multiplicidade cultural do ser humano. Claro que o senso crítico também é importante para se distinguir o que é feito com beleza e talento, por mais simples que seja, daquilo que é descartável e consumível. E hoje em dia, infelizmente, o que mais tem é música medíocre, feita pra vender facilmente e ser esquecida mais facilmente ainda.

Gostaria de apresentar pra ela a paixão que vem da guitarra flamenca e das canções e ritmos latinos, a energia tão crítica e tão contundente do Clash, que eu adoro, a sensibilidade dos Smiths, as incertezas adolescentes exorcizadas pela Legião Urbana, aquela voz poderosa do Freddie Mercury liderando o Queen, a inocência do Balão Mágico, a simplicidade das cantigas de roda que a minha avó cantava para nós e tantas e tantas outras músicas colecionadas ao longo da vida, músicas que serão bases para outras que virão e que irão compor a caixa, o 'box exclusivo' com as preferidas da Chicorinha.

sábado, 23 de abril de 2011

Carnaval na barriga

A Chicorinha está com sete meses e meio (32 semanas e 3 dias - calculadas com a ajuda do maravilhoso Gravidômetro) e sites como este, que descrevem a gravidez semana a semana, afirmam que o bebê nesta fase está bem mais receptivo aos estímulos externos, reagindo a sons familiares e musicais.

Ontem fomos assistir ao filme Rio no cinema, que por sinal é uma beleza de animação e que me fez relembrar algum domingo da infância assistindo ao Zé Carioca na tevê, e eu nunca senti a Chicorinha mexendo tanto! Na primeira meia hora do filme ela simplesmente não parou, chacoalhava daqui, chutava dali, e eu tentava descobrir se ela estava assustada com o som alto e condensado no ambiente com o qual não está acostumada ou se a música contagiante foi o que a animou daquela maneira. Quando o filme ficou mais tranqüilo, com mais diálogos, ela se acalmou, mas bastavam uns minutos de música que ela voltava a se agitar novamente...

Se ela já está assim dentro da barriga, o que podemos esperar para daqui a três ou quatro anos, quando ela estiver mesmo assistindo a desenhos no cinema?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

Bienal do Livro de São José dos Campos, a decepção

Mesmo com a incômoda sensação de a minha barriga estar se distendendo e prestes a explodir fiz questão de visitar ontem a Bienal do Livro que aconteceu (aliás, acontece até às 22 horas de hoje) no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. Meu único foco eram os livros infantis que desejava adquirir desde já pra formar a biblioteca da Chicorinha. Tinha vários nomes memorizados que peguei na lista da Flavia Pegorin e em uma matéria da revista Crescer, além dos títulos que eu mesma li quando criança e esperava rever na Feira.

Minha impressão imediata foi positiva, pois os dois primeiros estandes que vi na entrada eram imensos e logo encontrei num box de revistas em promoção o álbum da Sarah Kay já com todos os envelopes de figurinhas acompanhando por apenas R$ 5,00. Mesmo depois de a atendente do stand ter informado que houve um engano por parte da editora, que anexou as figurinhas não daquele álbum e sim de outro, achei que foi um bom negócio pois o que me interessava mesmo eram os adesivos.

No entanto, conforme fui caminhando (muito incomodada, confesso) pela Bienal minha impressão começou a piorar. Havia muitos e muitos stands do que costumo chamar de 'livros brinquedos', que nada mais são do que brinquedos em formato de livro: grandes, coloridos, com páginas grossas, espaços para colorir, personagens famosos da Disney ou da Discovery Kids, botões com sons de bichinhos, capas de pelúcia etc etc. Vocês fazem idéia do que estou falando. Aí quando a gente vai ver o conteúdo, o texto propriamente dito ou mesmo as ilustrações, vem a surpresa: algo muito banal, sem graça, sem história, sem poética, enfim, nada que justifique o nome de 'livro' (mas não tenho nada contra, mesmo porque acho que para bebês estes livrinhos de plásticos, sons e pelúcia são muito úteis para chamar sua atenção enquanto ainda não entendem e não lêem, só que é preciso saber diferenciar esses artifícios da Literatura Infantil propriamente dita).

Bom, daí fui eu procurar os stands onde os livros infantis de verdade poderiam estar. E eles estavam em no máximo meia dúzia deles, os menores, mais sem graça e mais vazios da feira. A Ática, que é uma mega editora com títulos ótimos, estava num stand ridículo de tão pequeno e pelado. Idem Cia das Letras, na parte infantil. O pior de tudo era que os preços dos livros-brinquedo eram muito atrativos (10, 15, 20 reais), mas o custo de uma obra como Marcelo Marmelo Martelo da Ruth Rocha, um clássico, não era menor que 32 reais, em uma edição de capa e páginas simples. É claro que eu entendo a diferença nos valores, afinal estou aqui defendendo que esse sim é um livro 'de verdade', mas acredito que numa feira como esta as editoras deveriam oferecer preços mais atrativos, abaixo dos praticados nas livrarias, justamente para divulgar e possibilitar o acesso da população a estas obras.

Nunca fui numa Bienal em São Paulo e não sei se lá as coisas são diferentes. Eu, se fosse organizar um evento desses focado no público infantil, iria em primeiro lugar limitar os stands dos livros de brinquedo a uma porcentagem muito menor do que havia ali e negociaria benefícios maiores das boas editoras em termos de preços. E se eu fosse organizar um stand colocaria mesinhas e cadeiras para as crianças, uma contadora de histórias, tótens com ilustrações dos livros ampliadas para chamar à atenção dos visitantes e disponibilizaria material extra para os professores, como uma lista de sugestões de obras categorizadas por temas ou daquelas premiadas, por exemplo, com o Jabuti.

Em resumo, a Bienal do Livro de São José dos Campos no tocante exclusivamente aos stands infantis (ou seja, não estou levando em conta a a programação de palestras e outras atividades porque não participei delas) foi uma lástima. Espero que as crianças, nas inúmeras excursões escolares que passaram por ela nestes dias, tenham aproveitado ao menos as atividades extras. Meu sobrinho que está aqui comigo me contou que os professores de sua escola deixaram os alunos soltos, sem nenhum roteiro ou visita guiada, e ele saiu de lá com um livro do Naruto, personagem de desenho animado, e outro do filme A Era do Gelo... E eu saí com as figurinhas da Sarah Kay (o que também não conta muito em meu favor, pelo menos em termos literários) e um livro muito bonitinho e acessível que comprei no stand da Paulinas chamado "A Casa do Coelho", da Lucia Reis, para dar pro Enzo na Páscoa. As páginas dele são fininhas e a encadernação é comum, mas o texto e as ilustrações são uma delícia que fazem a imaginação viajar, e é isso que importa, pois essa é a alma do Livro.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Como foi o Chá


 Conforme prometido seguem o relato e as fotos do Chá de Bebê da Chicorinha. As imagens pessoais da festa estão no meu Orkut, aqui vou só contar um pouco como foi e focar nos detalhes da organização para ajudar as visitantes do blog que pensam também em oferecer um chá diferente.

A decoração preparada pela Vanessa ficou maravilhosa. Desde o início tínhamos combinado que as cores da festa seriam lilás, verde, branco e rosa e que tentaríamos fazê-la o mais estilo provençal possível. E fomos trocando idéias, e-mails, sedex e figurinhas durante várias semanas... Mesmo assim o resultado final foi uma grande surpresa para mim, que não esperava que ela tivesse preparado tantas coisas lindas e especiais...

A bonequinha e o vaso de flores são itens do quarto da Chicorinha que aproveitamos

De lembrança, ela preparou latinhas de bala decoradas com o texto 'cheiro de infância' e brigadeiro de colher em potinhos fofos. Também nas brincadeiras as convidadas ganhavam brindes, que podiam ser sabonetinhos Mamãe&Bebê (obrigada, Vá Nascimento!) ou bonecas de papel.


Optamos por servir um chá da tarde, com direito a - naturalmente - o chá, mais café, leite, chocolate, suco, pães e acompanhamentos (geléia, manteiga), bolos (doces e salgado), petit fours, pizza enrolada, empadas e pão de metro. Alguns itens foram comprados na padaria e outros feitos pelo pessoal 'mais de casa'. Também alugamos garrafas térmicas para manter tudo quentinho. Pedi para algumas amigas que levassem jogos de xícaras e pratinhos para compor a louça das mesas, torcendo para que não fizesse calor, o que acabaria com o clima pretendido, mas felizmente o tempo estava ameno, quase friozinho, até choveu...


Abaixo os arranjos que decoraram as mesas. Fui juntando latas de alumínio e fiz o rótulo no Photoshop tentando imitar uma embalagem antiga de chá meio vintage. Na sexta de manhã fomos ao Ceasa e com 40 reais conseguimos comprar vários ramos de flores, o suficiente para compor os vasinhos. Compramos também espuma floral, deixada na água de um dia para o outro pra hidratar, que cortei no tamanho da lata, envolvi com papel alumínio e nas quais finquei as flores. Pena que não tiramos fotos, mas nas mesas com toalhas lilases foram colocados anis estrelado, hibisco seco e paus de canela ao redor dos vasinhos. Ficou super 'chá das cinco'!


Editado! A Moniquita tirou foto do vaso na mesa com as especiarias em volta:



O bolo de fraldas da Ju completou a mesa e encantou as convidadas, pois a maioria nunca tinha visto este item decorativo antes e amaram a idéia:


Havia também um painel com nossas fotos 'grávidos' no fundo da mesa principal, um notebook rolando o ultrassom 4D da Chicorinha e uma mesa com fotos minhas e do Sr. Chicório bebês.


A primeira brincadeira bolada pela Ju e pela Nani foi de adivinhar o sabor das papinhas da Nestlé. Tarefa difícil, afinal elas não têm gosto de praticamente nada. A vantagem (e a graça, pelo menos pra mim) é que eu podia pedir a ajuda 'voluntária' das convidadas para experimentarem as papinhas também e darem o seu palpite, e é claaaro que eu fiz questão de usar e abusar desta funcionalidade. Detalhe: errei todos os sabores, tinha certeza de que o de manga era de milho verde, e o único que acertei (ameixa) segundo a Ju não valeu porque já tinham soprado antes... Bah.


A segunda brincadeira consistia em trocar a fralda do bebê-boneca com os olhos vendados. Nessa eu pensei que ia me ferrar mas surpreendentemente consegui colocar a fralda direitinho! Hormônios, sexto sentido ou pura sorte de principiante?


Agora, modéstia à parte, na terceira brincadeira eu arrasei! As convidadas trouxeram fotos de quando eram pequenas e colocaram em uma caixinha para que eu adivinhasse quem era quem. Claro, errei algumas, mas acertei a maioria delas, para espanto geral da platéia...

Logo a da Ju eu errei, mas também, olha que sacanagem a foto que ela trouxe...

O chá foi muito gostoso, a decoração, a comida e o astral eram elogiados em cada mesa que eu ia. Confesso que para mim o tempo voou, pois estava focada em conversar e dar atenção a todas as convidadas, depois tivemos as brincadeiras,  abrimos os presentes e já acabou... Embora tudo tenha ficado perfeito, na próxima festa prefiro terceirizar os serviços, pois a parte ruim disso tudo é que as pessoas que te ajudaram ficam pregadas e nem aproveitam direito a festa, sem falar nas outras que ficam cuidando para que tudo aconteça direitinho. É o preço que se paga por se ter cada detalhe personalizado e tratado com tanto carinho...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Obrigada, obrigada e obrigada

Sábado foi o Chá da Chicorinha e tenho algo a dizer a todas as pessoas que o tornaram possível da maneira como foi: lindo, alegre e gostoso: OBRIGADA!

Obrigada minha querida amiga Vanessa pelo presente maravilhoso que me deu cuidando com tanto talento da decoração da festa, você chegou de manhã e só foi parar de tardezinha, exausta, pra deixar tudo lindo como estava e encantar todas as nossas convidadas... Não tenho palavras para dizer o quanto sou grata a você!

Obrigada Vandy, ops, Sr. Chicório, pelo trabalho duro de carregar as coisas o dia inteiro do apartamento pro salão, pendurar e pregar panos e papéis e outras incontáveis atividades, mesmo estando com dor de cabeça, e ainda ter tido ânimo pra fotografar o evento, e por fazer tudo isso com um sorriso no rosto do começo ao fim...

Obrigada Dona Felícia por ter preparado com tanto zelo as comidas de maior sucesso da festa, em todas as mesas eram só elogios e pedidos para que revelasse o segredo daquele bolo salgado tão diferente e delicioso que embora enorme, simplesmente desapareceu assim como as empadas...

Obrigada Tia Josi pelo deliciosíssimo bolo de cenoura (outro item de grande sucesso na festa) e por ajudar no final a arrumar tudo juntando e subindo com as coisas... Eu me senti até mal de ver você, minha convidada, trabalhando enquanto eu ficava ali paradona com as minhas costas travadas, mas espero que um dia possa lhe retribuir essa gentileza!

Obrigada irmãs por terem ajudado na arrumação e na organização do chá, antes, durante e depois. Vocês realmente têm estado presentes em nossas vidas de forma constante e ativa como eu esperava, e desejo muito que a Chicorinha tenha por vocês o mesmo carinho e confiança que o Felipe tem nas tias e na mãe dele...

Obrigada Juju pelo lindo bolo e pela animação da festa, só você mesmo para puxar as brincadeiras de uma forma tão legal, todo mundo se divertiu, e o que me deixou mais feliz nesta história foi constatar eu não sou tão ruim assim trocando fraldas...

Obrigada Tia Terezinha e Claudelice por terem ajudado na cozinha sem nem precisarmos pedir, se não fosse a ajuda de vocês acho que não daria pra deixar tudo pronto a tempo...

Obrigada Rô, Dé, Ju, Nani e todo mundo que ajudou na idéia do Livro da Chicorinha, que coisa mais linda, um presente inesperado e inestimável que ela vai ler e reler em várias ocasiões de sua vida... Ah, e obrigada Felipe pelo conselho que deu à sua priminha, espero que ela o siga também comigo pois assim estará poupando muito a paciência de sua mãe naqueles dias em que tiver aprontado alguma...

E Obrigada a todas as nossas convidadas que estiveram lá participando e comemorando a chegada em breve de nossa Chicorinha, tenho um carinho especial por cada uma de vocês e suas presenças, vozes e alegria iluminaram a nossa festa!

E aguardem mais um pouquinho pelas fotos!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ju, Juju, Jujuba

haExistem três motivos pelos quais a Ju é a madrinha perfeita para a Chicorinha:

1. Por ter sido uma criança inspiradora

Ela era uma menina de cabelo cacheado, bochechas rosadas e sorriso espontâneo como um anjinho, cativante só de olhar, e morava naquele seu mundo particular de fantasias. Eu, como prima mais velha, tímida e séria, não entendia muito bem esse lugar em que ela vivia, meus pés estavam no chão e os dela lá no céu, e me admirava esse seu jeito tão solto e natural de ser criança. Pequenina, já era como um modelo para mim nessa coisa de tentar levar a vida de maneira mais leve e menos preocupada...

Lembro de uma vez que a Rô nos levou no teatro e estávamos lá sentadinhas vendo a peça infantil, no escuro silencioso, até que a Ju se levantou da cadeira dela e gritou bem alto: "Palhaço Imaginadooooooor!" chamando o personagem no palco (o ator, acredito eu, adorou o gesto, já que o público parecia meio apático e nessa hora caiu na risada), enquanto a Rô fazia de tudo pra ela sentar-se novamente. Eu lá no meu canto fiquei imaginando de onde é que a Ju tirava coragem pra se expressar publicamente daquele jeito...
Tempos depois a gente acaba descobrindo que não é uma questão de coragem mas de se envolver, de estar alheio a todo o resto vivenciando um momento!

2. Por ter sido nossa Cupido 
Se não fosse a Juliana providenciando encontros 'casuais' e transmitindo os recadinhos infames do seu amigo Sr. Chicório numa época em que eu só conseguia enxergar nele um cara meio esnobe e metido a engraçado eu jamais teria visto como ele era legal mesmo e a gente jamais teria ficado juntos, nem se casado, nem teríamos a Chicorinha...

3. Por causa da Pedagogia
Daqui a alguns dias a Ju vai receber seu diploma de graduação em Letras, e embora eu nunca tenha assistido a uma aula dela, sei que com certeza é uma daquelas professoras pelas quais os alunos têm um carinho especial que se mantém por tempos e tempos depois. Porque ela gosta de gente, gosta de criança, sabe lidar e conversar com elas, sabe ensinar coisas legais e ter paciência de ouvi-las e de lhes dar atenção.
Eu fico imaginando a Ju de novo voltando a ser aquela menina adorável ao brincar com a Chicorinha e lhe ensinando esse jeito simples e natural de ser, e lendo com ela aqueles livros tão coloridos de quando era pequena...

Então, Dindinha Juju, parabéns pela sua Formatura, por ser assim tão especial para nós e para meio mundo e porque uma certa pessoinha aqui já me segredou que não vê a hora de conhecer sua madrinha e tudo isso de legal que falam dela...

"Para sempre As Meninas"...