Eu sou mãe da Chicorinha não porque ela está sendo formada dentro da minha barriga, mas porque durante esse tempo ela está sendo formada aqui no meu coração. Gerar um filho a partir do amor cultivado torna iguais as mães que gestam e as mães que adotam, e as diferencia das mulheres que vivenciam a gravidez como um mero processo biológico, desprovido de importância e significado.
É engraçado como o egoísmo (pensar em si mesmo) e o altruísmo (pensar no outro) se misturam e se fundem nas mães, como se fossem uma única coisa. A gente deseja a maternidade por nós mesmas: pra podermos cuidar, educar, acarinhar, sentir o calor e a graça de ter uma criança. Mas isso nos torna altruístas porque requer dedicação, cuidado e, tantas vezes, sofrer um pouco e esquecer de si mesma para fazer o melhor pelo filho. E assim o ciclo se repete, porque isso nos enche de novo de felicidade e satisfação.
Sinto esse paradoxo agora na gravidez, pois enquanto reclamo das dores e dos desconfortos, sou grata por tudo estar transcorrendo bem e naturalmente. Experimento desde já esse tempero agridoce, meio azedinho, mas delicioso...
Nunca tinha parado pra pensar nestas coisas até passar a vivê-las. Mães não são infalíveis (e o Renato Russo já dizia em Pais & Filhos: “são crianças como você...”), humanas, com seus gênios, humores e maus humores, dúvidas e opiniões formadas. Elas têm e precisam ter uma vida independente da maternidade, como indivíduos que são. Mas também sabem balancear individualidade com doação, e por isso deixo meus aplausos a estas verdadeiras equilibristas que seguem caminhando ainda que a corda balance ora para um lado, ora para o outro...
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| E é o amor que mantém seus pés firmes! |

Que lindo! Adorei!
ResponderExcluirPriscila
Ótimo texto, excelente reflexão! Amor de mãe às vezes chegar a ser até contradição. Só não deixa de ser exagero, excesso, intenso... isso nunca!
ResponderExcluirUm beijo!