sexta-feira, 3 de junho de 2011

Polêmica na mídia: amamentação em público

Tomei conhecimento dos fatos por meio do post da Sofia, do Buteco Feminino. Ela resume bem a questão toda, que envolve a realização de um Mamaço Nacional (evento em que as mães se reunirão para amamentar seus filhos em público para combater o preconceito) e as várias manifestações da mídia a respeito, incluindo programas como o CQC, matérias e artigos favoráveis e contrários em jornais como a Folha de SP e inúmeros blogs na internet.

Eu, pessoalmente, não pretendo amamentar em público (e se for realmente necessário pretendo fazer isso cobrindo o seio) porque detesto olhares indiscretos, críticos, curiosos ou cínicos sobre mim. No entanto, admiro estas mães e respeito seu direito de amamentarem publicamente seja com ou sem 'paninho' por cima, porque o problema não é com elas e sim com estes olhares que julgam, avaliam e se constrangem com algo que deveria ser visto com naturalidade.

Eu mesma me incluo nestas pessoas que ficam meio constrangidas ao ver alguém amamentando, mas sei que é só uma questão de se acostumar. A gente se acostuma a ver tanta coisa errada com naturalidade - por exemplo, o corpo feminino exposto de forma banal em qualquer banca de revista ou propaganda de cerveja - então por que não aprender a encarar com naturalidade também uma mulher amamentando um bebê, que nada tem de errado, nem de ofensivo...

Por isso sou a favor do Mamaço. Para educar os olhares, nem que isso seja uma conquista a longo prazo. Para que a sociedade (ao menos a nossa, já que outras culturas já demonstram essa evolução) aprenda a ver o corpo feminino não só sob o viés sexual mas também maternal e acima de tudo, humano.

Se essa imagem pode ser exposta em qualquer lugar, a qualquer hora no espaço público...

Mas essa  deveria ficar restrita a banheiros e salinhas reservadas...

Se esta exposição é socialmente aceita
Porém esta ofende a sociedade...

E se essa propaganda é encarada com naturalidade
E isso choca...

É porque as nossas idéias estão de cabeça para baixo e ninguém percebeu. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

E os nossos agradecimentos...

 Ao Padre Paulo Renato F. G. de Campos que nem nos conhece e mesmo assim teve a gentileza e o trabalho de adquirir na Ikea de Roma e nos enviar o festivo mosquiteiro de berço que tanto namorávamos para o quarto da Chicorinha... E à nossa prima Débora que não titubeou em lhe fazer este pedido em nosso nome. 
Vejam como ficou lindo... O Sr. Chicório disse que a Chicorinha terá seu sono abençoado todas as noites tendo esse dossel repleto de carinho sobre ela: 



À Juju pelas lindas malas de maternidade (devidamente montadas esta semana) e à pelas fraldinhas e acessórios decorados que farão o encanto das enfermeiras, deixando a Chicorinha a bebê mais 'Chic' do pedaço...



Às doces meninas do Atelier Festejar, Luciana e Renata, que nos presentearam com caixinhas de lembranças para a maternidade, com o tema de joaninhas (adoramos)...   



 À vovó Felícia por compor grande parte do enxoval da Chicorinha, costurando, bordando e tricotando com todo amor lindas e delicadas peças...



À priminha Maria Eduarda que ao crescer deixou roupas novinhas de herança pra Chicorinha, à querida Marli que cuidou com tanto carinho delas e a vocês, nossos parentes, amigos, clientes, colegas de trabalho e até da internet que visitaram, ligaram, participaram, estiveram presentes e demonstraram seu carinho para conosco durante todo esse tempo...


MUITO OBRIGADA!!

 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Doce insônia

Essa noite não dormi nadinha. Sr. Chicório tinha endoscopia hoje e por conta disso não jantamos. Fiz um lanche rápido e acabei ficando com fome no meio da noite, o que estava me causando azia. Comi bolachas com suco de laranja e fiquei com mais azia ainda. Passei a noite entre a cama, o banheiro e o sofá. Assisti aos Clássicos do Multishow. Tentei dormir sentada mas o pescoço ficou dolorido.

Esse final de gravidez é bem desconfortável mas tem lá suas compensações. No meio da madrugada parei para sentir a movimentação da Chicorinha. Coloquei as mãos sobre a barriga e logo o que parecia ser um joelhinho ou um cotovelo começou a se projetar suavemente sob minha pele. Dali a pouco ela se ajeitava de novo, e eu conseguia distinguir e acariciar suas costinhas delicadas.

Falta tão pouco para eu finalmente conhecer a minha filha, olhar nos seus olhos e admirar a perfeição de cada uma dessas pecinhas que sinto se moverem dentro de mim. Tocar suas mãozinhas e pezinhos, reconhecer em seu rosto aquela figurinha doce do ultra 4D.

Lembro-me de cada ultrassom, desde quando ela era um feijãozinho só com o coração piscando na tela. Depois com treze semanas, já toda formada, dando saltos ainda involuntários como se vivesse dentro de um Aquaplay. Então no segundo trimestre o morfológico quase indistinguivel mas que me emocionou do mesmo jeito porque medindo seus órgãos internos era como se presenciássemos um milagre. E no 4D o amor que sentíamos passou a ter uma expressão, um rostinho redondo e encantador para nos lembrarmos.

Sei que um dia vou ser como as outras mães e sentir saudades da barriga, dessa sensação boa de ter um bebê dentro da gente. Enquanto isso sigo reclamando dos incômodos, desejando tê-la aqui do lado de fora comigo, ao mesmo tempo em que me despeço deste período em que ela tem sido parte de mim. Logo iremos atravessar juntas a nossa maior aventura, o momento desafiador e emocionante de sua chegada...

E a cada dia teremos certeza de que tudo valeu a pena...

domingo, 22 de maio de 2011

O pólen dos nenéns

Hoje o dia foi maravilhoso, almoçamos com pessoas queridas e ficamos batendo um papo gostoso. Nossa pequena ganhou vários presentes e o mais especial deles foi saber que alguém muito importante para nós também carrega um neném dentro de si... Foi uma notícia tão inesperada e ao mesmo tempo tão esperada por todos que a tarde brilhante e dourada de outono parecia estar celebrando a felicidade por sermos mães, pais, avós, bisavós, tias, primas e madrinhas...

Quando a gente fica grávida percebe que outras mães e pais que ficam sabendo da gravidez se lembram da chegada dos seus filhos e gostam de nos contar suas histórias e lembranças. Hoje eu me senti assim ao receber essa notícia, revivendo na memória o comecinho de tudo, quando descobrimos a Chicorinha... E foi algo ainda mais especial porque essa mamãe e esse papai também passaram pelas mesmas dúvidas que nós também tivemos um dia...

Eu acho que mais cedo ou mais tarde a Ciência ainda vai acabar descobrindo que os bebês chegam seguindo algum cronograma misterioso, em grupos específicos, pois é impressionante como em torno de nós surgiram novas notícias de gravidez desde então, e como a própria Chicorinha parece ter vindo numa dessas remessas, num momento em que havia outros nenéns próximos sendo gerados e nascendo.

Talvez as cegonhas organizem suas encomendas de modo a economizar nas viagens, ou então talvez os bebês tragam consigo algum pólen mágico, que espalham pelo ar para atrair outros bebezinhos...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O parto, este desconhecido

Até então eu não estava pensando nisso, mas agora na reta final da gestação comecei a ponderar o assunto. "Ponderar", neste caso, é um eufemismo para um turbilhão de pensamentos e sentimentos que envolvem ansiedade, medo, angústia e ao mesmo tempo confiança, tranqüilidade e entusiasmo... Imaginem tudo isso se alternando dia sim, dia não, na cabeça de uma pessoa...

No momento estou atravessando uma fase boa (e espero sinceramente que não seja só uma fase, mas que consiga permanecer assim até o grande dia), na qual acredito ser capaz de encarar o que vier, e por isso aproveitei o retorno do bom humor pra escrever este texto. Em outros dias não tão distantes já me encontrei mergulhada em profunda aflição por não saber o que esperar em tantos sentidos, se vai correr tudo bem com a Chicorinha, como vai ser a dor, o pós-parto...

A melhor imagem que vem à minha mente para ilustrar isso que tenho passado é a de se estar pela primeira vez na fila da montanha-russa (quando só se esteve antes no carrossel e no Formigão) imaginando o que te aguarda. E, como nos brinquedos mais radicais dos parques de diversões, o medo e a sensação de perder o controle é o preço que se paga pra viver as mais intensas emoções. 

Para mim, até ficar grávida, a única opção possível a ser considerada para o parto era a cesariana eletiva, ou seja, aquela com dia e hora marcados. Era claro como água: não queria passar pelas dores do trabalho de parto e ponto final. Queria definir eu mesma o momento de ir ao hospital, sem sobressaltos e sem ser pega de surpresa. Pra que todo esse sofrimento, afinal, se não é preciso passar por nada disso?

Depois de ler mais a respeito do assunto, no entanto, comecei a pensar nos prós de um parto normal: que de repente poderia ser mais tranqüilo do que eu imaginava, que depois estaria mais bem disposta pra cuidar da Chicorinha, sem falar em toda aquela campanha da Organização Mundial de Saúde...  Mas o que realmente me animou a considerá-lo como opção foi saber que quase nos finalmentes a gente recebe analgesia, uma espécie de anestesia mais fraca a ponto de aliviar a dor, mas que permite a evolução da passagem do bebê.

Diante destas questões todas e sem ser capaz de chegar a qualquer conclusão, optei por confiar a decisão quanto ao melhor parto à minha médica. O que ela considerar mais seguro para a Chicorinha e para mim, que seja. A doutora não é radical nem com relação à cesária nem ao normal, então acredito em seu equilíbrio para tomar a melhor decisão no meu lugar, já que não estudei Medicina nem nada, e nem tenho mais do que uma dúzia de experiências confiáveis - felizmente todas positivas, tanto com relação ao parto normal quanto à cesárea,  que as pessoas próximas vão me narrando - e ela tem centenas.

Enquanto procuro manter a cabeça no lugar, só tenho certeza de uma coisa: tudo o que eu desejo é que a Chicorinha chegue com saúde e que depois do parto, seja ele qual for, eu esteja bem física e emocionalmente pra cuidar dela com toda a dedicação, amor e carinho que a nossa pequena merece....

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Grávidas e filas

Uma das coisas que a gente aprende com a gravidez é a respeitar as grávidas. Eu sempre achei que fizessse parte das regras da boa educação ceder lugar para gestantes e idosos e por isso não me sentia incomodada em fazê-lo, mas não tinha consciência do quanto, às vezes, esse pequeno ato de gentileza pode significar muito mais do que isso para a pessoa beneficiada.

Hoje passei por uma situação que vale o registro. Aqui no meu trabalho estamos com o restaurante fechado e forma-se uma fila quilométrica na lanchonete onde almoço. Fui então um pouco mais cedo, mas mesmo assim já havia muita gente na fila. Para piorar, no meio do caminho tive uma câimbra na batata da perna.

Decidi pedir uma marmitex para não precisar passar na frente dos outros mas fui informada que, diante do excesso de pessoas, precisaria tê-la solicitado com antecedência.  Diante disso, do peso da barriga de oito meses e dar dor na perna resolvi fazer uso do meu direito de atendimento preferencial e pedi gentilmente licença a uma pessoa para entrar na frente dela. Esta, visivelmente contrariada, cedeu espaço. Logo depois ouvi alguém de trás da fila me chamando de folgada. Voltei-me e perguntei o que ela tinha dito, sem agressividade, e a pessoa respondeu com desdém: "nada, pode ficar aí mesmo". Então eu disse: "sim, pois eu tenho direito de ficar aqui". Ouvi mais um resmungo, mas não retruquei.  E desta vez não me senti constrangida nem nada, pois neste caso sabia quem estava com a razão.

Infelizmente não dá pra exigir que as pessoas tenham educação ou gentileza umas com as outras, mas pelo menos podemos exigir que nossos direitos sejam respeitados. Eu não costumo abusar da minha condição, dificilmente utilizo a gravidez como justificativa para passar na frente dos demais, a não ser nestes casos em que realmente estou me sentindo mal ou incomodada.

Muitas pessoas adotaram a cultura do 'problema seu, não tenho nada a ver com isso', mas acredito que a longo prazo isso se volte contra elas próprias, ao ajudarem a produzir uma sociedade mais fria e insensível. 'Azar seu se você tem necessidades especiais, azar seu se está passando mal, azar seu se é velho'... Só tomamos consciência disso ao nos encontrarmos numa destas situações, sem que haja alguém disposto a emprestar um pouquinho da sua juventude ou do seu bem estar, se não por simpatia, ao menos para reforçar valores sociais que também lhe serão úteis no futuro, no dia em que estiverem precisando.

E quando isso não acontece, a Lei está aí para ser lembrada, sempre que o bom senso faltar.

domingo, 15 de maio de 2011

O reflexo da calma

Eu adoro idéias simples e criativas. Quando soube do baldinho de acalmar neném fiquei doida pra arranjar um (e, graças à Marli, a Chicorinha ganhou o dela!) e  agora que conheci o método do  Dr. Harvey Karp de induzir o reflexo da calma nos bebezinhos também quero experimentá-lo com a filhota.

O legal é que ele reuniu várias práticas já bem conhecidas e desenvolveu uma metodologia que magicamente (pelo menos nos vídeos dele) fazem os bebês se acalmarem quase que de forma instantânea. Segundo o doutor, são pouquíssimos os bebês que choram por cólica. A maioria deles sente saudades da vida no útero, e a idéia é fazê-los retornarem a este estado de segurança em que viviam lá dentro. Reproduzindo-se as condições da vida intra-uterina, o bebê automaticamente retorna àquele estado. Isso é chamado de 'reflexo da calma'.

Este texto explica bem tanto a teoria da extero-gestação (segundo a qual nos primeiros três meses o bebê é tão imaturo que precisa permanecer envolvido por calor humano como se ainda estivesse na barriga) bem como o método do Dr. Harvey. Em resumo, são cinco os passos para aplicá-lo (leiam o texto linkado acima para mais detalhes). As seguintes ações devem ser combinadas e aplicadas em conjunto total ou parcialmente (às vezes bastam somente duas ou três) para acalmar o bebê:


1. Embrulhá-lo apertadinho: para isso serviam os cueiros, no tempo das nossas avós... O neném se sente seguro, como se ainda estivesse envolvido pelas paredes uterinas.

2. Colocá-lo deitado de lado: equivale a deixá-lo na posição que ele ocupava no útero, de cabeça para baixo (não dá pra fazer isso com ele agora porque causaria uma pressão desconfortável em sua cabecinha, o que não ocorria no útero porque ali ele flutuava em líquido amniótico).

3. Fazer "shhhhhhhhhhhhh" no ouvido dele: isso lembra a minha infância, pois era assim que meus pais ninavam as minhas irmãs. Este som lembra o que o bebê ouvia 24 horas por dia enquanto estava na barriga, e é chamado de "ruído branco". Isso explica por que o barulho das ondas do mar (outro tipo de ruído branco) exerce um efeito calmante até mesmo em nós, adultos.

4. Ninar (balançar) o bebê: esta técnica não precisa nem explicar, é universal. Importante dizer somente que deve-se fazer isso com muita delicadeza, pois sacudir um bebê bruscamente, mesmo ao brincar com ele, pode causar-lhe sérios danos físicos e levá-lo à morte.

5. Deixá-lo sugar: um dos principais reflexos do bebê é a sucção, pois ele precisa nascer sabendo disso pra poder se alimentar. Dentro do útero, ele passava boa parte do tempo exercitando esse instinto. Quando as quatro técnicas acima em conjunto não são suficientes, é necessário aplicar esta última. Quem não aprova a chupeta pode dar o dedinho (bem lavado, diga-se de passagem) para o neném, evitando que ele leve o próprio dedo à boca. Outra ação seria adotar a amamentação por livre demanda, ou seja, não definir horários fixos para alimentação do bebê.

Vale lembrar que se o bebê estiver realmente com alguma dor ou problema físico essas técnicas não serão capazes de acalmá-lo, aí é preciso investigar e solucionar a causa do choro.

E aqui estão os vídeos do pediatra e mágico Dr. Harvey Karp:

Parte 2
Parte 3
Parte 4