Eu já li bastante coisa em livros, revistas e na internet sobre como se adaptar e adaptar o bebê desde a sua chegada em casa. Inicialmente, estava concordando mais com o pessoal que defende a implantação de uma rotina bem estruturada, por exemplo: dar de mamar a cada três horas logo depois de trocar a fralda e colocar depois para dormir. Isso é legal porque torna tudo mais previsível tanto pra nós quanto para a criança. Por outro lado, também acho essa rotina muito engessada, e não me sinto à vontade para fazer as coisas seguindo o relógio (que aliás, eu quase nem uso).
Daí comecei a ler outros materiais que defendiam o inverso, ou seja, que no início (primeiros meses), os pais e o bebê ainda estão se conhecendo, então é importante deixar que as coisas fluam naturalmente, ou seja, o neném mama e recebe atenção sempre que pedir, e com o tempo a rotina da família vai se ajustando.
Uma das questões que me deixava mais confusa era se a gente deveria pegar e acalentar o neném sempre que chorasse ou se era melhor deixá-lo aprender a se acalmar sozinho, para que não ficasse tão dependente do colo. Gostei deste raciocínio:
A terapeuta Miriam Santos Lerner, especialista no trato com gestantes e jovens mães, diz que na visão da medicina chinesa a gestação do ser humano dura 18 meses: nove meses dentro do útero e mais nove fora do útero. Esse olhar provoca uma mudança radical no modo de se ver um bebê. Considerar o primeiro ano de vida como uma segunda gestação traz uma importância vital à qualidade da presença dos pais perto da criança. Nesse período, o bebê precisa ser aninhado, embalado, receber carinho e afeto – que será seu principal alimento, ao lado do leite materno. “Por isso ele quer tanto colo. Ele ainda está em formação,precisa do calor e da presença dos pais como precisava do calor e da segurança do útero”, diz ela, que, aliás, é contra deixar o bebê sozinho chorando no berço “para não se acostumar no colo”. (Fonte: Revista Vida Simples)
Penso o seguinte: vou ter só seis meses pra ficar com a minha filha durante a licença-maternidade e quero usar este período o máximo que puder curtindo-a, ninando-a e conhecendo-a. Pra que ficar regulando colo se eu mesma vou sentir falta de ficar mais com ela depois, e essa época não irá voltar? Além do mais, quando ela já estiver maior e começar a engatinhar e quiser explorar o mundo, naturalmente essa dependência de colo já irá diminuir bastante, então não preciso me preocupar se estou deixando-a 'viciada' em carinho...
O fato é que não existem fórmulas que garantam total sucesso na adaptação de pais e filhos. Aliás, sucesso neste caso é algo bem relativo, depende da rotina, do dia-a-dia, dos princípios e valores de cada família. Por isso cada uma tem que ir aprendendo, definindo seu próprio caminho, sem ficar se bitolando em livros, palpites e regras.
Às vezes no fórum do
E-Family, que eu visito sempre, vejo algumas mães reclamando que não têm mais tempo para si depois que o neném nasceu. Concordo que não consigo abrir mão do meu tempinho pra tomar um banho tranqüilo, ouvir música, ver as novidades na internet e descansar, mas não acho que deixar de freqüentar barzinhos e viajar por, sei lá, um ano, chegue a ser assim tão frustrante. Mesmo porque este período é tão curto, é justamente o tempo de vivenciar essa experiência tão imensa e forte de ver uma pessoa ali, se formando bem diante dos seus olhos. E se dedicação ao trabalho e aos hobbies é um tempo que se dedica a si mesma, por que cuidar de um filho também não pode ser encarado assim, já que ter filho também é um projeto pessoal?
Sou muito fã de uma
fotógrafa que demonstra bem com sua biografia que dá tempo de fazer tudo e um pouco mais desde que se deseje e se tenha prazer com isso. Ela criou cinco filhos, já foi dona de loja e aos quarenta anos descobriu o talento pra fotografia, ficando internacionalmente conhecida por seus trabalhos, sem falar que viajou praticamente o mundo inteiro em seus setenta anos de vida. Não quero perder de vista esse exemplo do 'quadro todo', vendo a minha trajetória como uma série de etapas que têm o seu próprio tempo, vivendo uma delas de cada vez, do jeito mais intenso que puder.